a dignidade da diferença
26 de Março de 2017

 

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«Embora nenhum conceito importante esteja para além do seu debate, a discussão acerca do populismo diz respeito não apenas ao que este é, mas até se este sequer existe. É, verdadeiramente, um conceito contestado quanto à sua essência. (…) Parte da confusão deriva do facto de o populismo ser um rótulo raras vezes usado pelas próprias pessoas ou organizações. Ao invés, é aplicado por terceiros, a maioria das vezes com uma conotação negativa. (…) Como o populismo não pode reivindicar um texto fundador ou um caso paradigmático, os académicos e os jornalistas usam o termo para referir fenómenos muito diferentes. (…) A abordagem do populismo enquanto “acção popular” trata-o como significando um modo de vida democrático construído graças ao envolvimento popular na política (…) a abordagem da acção popular considera o populismo essencialmente como uma força positiva para a mobilização das pessoas (comuns) e para o desenvolvimento de um modelo comunitário de democracia. Contempla uma interpretação (…) mais ampla e mais restrita dos agentes populistas do que a maioria das outras abordagens, incluindo quase todos os movimentos de massas progressivos».

Cas Mudde e Cristóbal Rovira Kaltwasser, in Populism – A Very Short Introduction

28 de Janeiro de 2017

 

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Se António Costa, prometendo um acordo de concertação social que não podia cumprir, ficou bastante mal na fotografia, o que dizer de Pedro Passos Coelho? Adoptando uma estratégia – perfeitamente legítima, note-se – segundo a qual este governo PS apenas pode contar com os seus “parceiros” de bancada parlamentar para viabilizar qualquer medida da sua autoria, o antigo primeiro-ministro, decidindo circunstancialmente rejeitar uma proposta de redução da TSU que o seu partido já defendeu anteriormente (e também como contrapartida do aumento do SMN), cola a si uma indesejável imagem de político azedo e ressabiado que lhe trará brevemente muito mais prejuízos que benefícios.

publicado por adignidadedadiferenca às 13:23 link do post
07 de Abril de 2016

 

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«O pai de Atalia sonhava que judeus e árabes se amariam desde que a incompreensão existente entre eles desaparecesse. Mas enganou-se. Entre judeus e árabes nunca existiu incompreensão. Pelo contrário. Há dezenas de anos que entre ambos existe um entendimento absoluto e total: os árabes naturais desta terra estão ligados a ela porque é a única que têm, não têm outra, e nós também estamos ligados a ela pela mesma razão. Eles sabem que nós nunca desistiremos dela e nós sabemos que eles também nunca desistirão dela. Esse entendimento mútuo é perfeitamente claro. Não existe nem nunca existiu incompreensão. O pai de Atalia era daquelas pessoas que acham que todos os conflitos no mundo se resumem a equívocos: com uma pequena dose de aconselhamento familiar, um pouquinho de terapia de grupo, uma gotinha ou duas de boa vontade – tornamo-nos imediatamente irmãos de coração e alma e a disputa cessa. Ele acreditava que bastava que os elementos em conflito se conhecessem para que se estimassem. (…) Mas eu digo-lhe, meu caro, que dois homens que amam a mesma mulher, dois povos que reivindicam a mesma terra, por muitos rios de café que bebam, esses rios não apagarão o ódio, as muitas águas não o extinguirão. E digo-lhe ainda, apesar de tudo o que lhe disse antes, que abençoados sejam os que têm sonhos, e maldito aquele que lhes abre os olhos. Pois ainda que os sonhadores não nos salvem, nem eles nem os seus discípulos, a verdade é que sem sonhos e sem sonhadores a maldição que sobre nós pesa será sete vezes maior. Graças aos sonhadores talvez nós, os lúcidos, sejamos um pouco menos empedernidos e desesperados do que seríamos sem eles.»

Amos Oz, in Judas

31 de Dezembro de 2015

 

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Francisco Bethencourt, «Racismos, Das Cruzadas ao Século XX»

 

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Italo Calvino, «Porquê Ler os Clássicos?»

 

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John Darwin, «Ascensão e Queda dos Impérios Globais 1400-2000»

 

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Atul Gawande, «Ser Mortal»

 

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Ivan Gontcharov, «Oblomov»

 

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Javier Marías, «Assim Começa o Mal»

 

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Olivier Rolin, «O Meteorologista»

 

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Carl Schmitt, «O Conceito do Político»

 

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François Truffaut, «Os Filmes da Minha Vida»

 

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Voltaire, «Tratado Sobre a Tolerância»

 

publicado por adignidadedadiferenca às 10:10 link do post
11 de Novembro de 2015

 

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«O resultado é geralmente uma dicotomia simples que apresenta os europeus como os agentes invariáveis do progresso num mundo que noutras partes continua agarrado à tradição. Já vimos que esta visão é difícil de sustentar. Existem três outras dificuldades. Em primeiro lugar, os elementos da modernidade (…) raramente se encontravam todos numa única sociedade. Em grande parte da Europa mal se descortinavam até tempos muito recentes. Mesmo aqueles países que consideramos os pioneiros da modernidade tinham fortes características pré-modernas. A escravatura foi legal nos Estados Unidos até 1863. A classe dirigente da Grã-Bretanha vitoriana era, de um modo geral, hereditária, e a religião continuava a ser crucial para a aspiração social e para a identidade. A América do século XX era uma sociedade de castas cujo distintivo era a cor da pele, usada para negar direitos civis e políticos a um grande segmento social até aos anos 60 ou mais tarde. A França pós-revolucionária circunscreveu os Direitos do Homem aos homens até 1945, quando as mulheres conquistaram o direito de voto. (…) A Alemanha nazi ou a Rússia soviética eram modernas? (…) Em segundo lugar, algumas das características essenciais da modernidade convencional encontravam-se também em regiões da Eurásia muito distantes da Europa. O caso clássico é a China, que desenvolveu uma burocracia moderna e meritocrática, uma economia comercial e uma cultura tecnológica muito antes da Europa. (…) Em terceiro lugar (…) parece possível que a expansão da Europa representou em parte um assalto deliberado às iniciativas modernizadoras de outros povos e Estados. O que terá vencido, talvez, não foi a modernidade da Europa mas a sua capacidade superior para a violência organizada.»

John Darwin, in “After Tamerlane. The Global History of Empire”

02 de Setembro de 2015

 

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O aviso sobre o perigo da insustentabilidade da Segurança Social a curto prazo devia ser levado mais a sério, pois não vem de pessoas conotadas, por exemplo, com o Bloco de Esquerda, o Partido Comunista ou o Livre, isto é, alguém da oposição cuja crítica ao partido do governo se considerasse um feito natural. Não, o aviso vem de alguém de dentro, mais precisamente do Prof. Mira Amaral, que, no domínio dos princípios, até concorda com a proposta da coligação CDS/PSD. Na crónica que assinou na edição do semanário Expresso de 22 de Agosto, Mira Amaral deixa o recado à coligação, aproveitando a sua experiência como gestor financeiro da Segurança Social entre 1983 e 1985 e como responsável governativo no biénio seguinte. Ficam aqui gravados os pontos mais relevantes da repreensão séria e honesta: «Como gestor financeira da Segurança Social (…) percebi as vulnerabilidades do sistema distributivo em que os trabalhadores activos que estão a descontar para a TSU estão a financiar a reforma dos actuais pensionistas na esperança que a geração vindoura lhe financie a sua (…) Encomendei então um estudo sobre a sustentabilidade do sistema e comecei a falar em (1) novas formas de financiamento (…) (2) implementação de um sistema de três pilares (…) no primeiro se continuava a descontar na base de um salário mínimo (…) recebendo-se então uma pensão mínima; no segundo, constituía-se obrigatoriamente uma conta poupança-reforma individual em regime de capitalização (…) no terceiro, voluntário e equivalente aos esquemas dos PPR, em que quem quer mais segurança obviamente vai pagá-la (…) O problema desta mudança é que faz um plafonamento das contribuições para o regime distributivo, diminuindo as receitas deste e colocando, por isso, em causa o pagamento dos actuais pensionistas. (…) Por isso é que a proposta da coligação CDS/PSD sobre o plafonamento dos descontos para a TSU é neste momento financeiramente inexequível! No domínio dos princípios concordo (…) com el, mas com o (…) nível de dívida pública, ela só pode constituir uma manobra de diversão (…) E curiosamente tal é proposto por um governo que destruiu aquilo que já era no fundo um segundo pilar colectivo, os fundos de pensões (…) que foram expropriados pelo Estado para tapar o buraco público, ficando os (…) trabalhadores à mercê de um regime (…) com problemas de sustentabilidade!» Sucede que, para agravar o actual estado de coisas, as propostas excessivamente optimistas do PS relativamente ao regime contributivo da segurança social também parecem apontar para uma quebra repentina das receitas, colocando em causa o pagamento imediato das pensões. Estarão a desenvolver as condições para arruinar a segurança social, apresentado então o caso como um facto consumado? Na verdade, começa a não sobrar tempo nem espaço para que os políticos, dirigentes e técnicos responsáveis e conhecedores do problema se sentem à mesa para discutir serenamente a melhor solução para ultrapassar as dificuldades, para que uma fatia considerável dos portugueses não se sinta brevemente vergada ao destino que lhes está a ser imposto…

 

publicado por adignidadedadiferenca às 00:09 link do post
02 de Julho de 2015

 

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Constituído por Portugal, Irlanda, Itália, Grécia e Espanha, este grupo carrega consigo o peso excessivo que a denominação PIIGS lhe confere porque se trata de um conjunto de países caracterizado pela posição extremamente precária em que se encontra dentro da Zona Euro, por força de uma deficiente estratégia no que respeita aos gastos públicos, certificada por um endividamento excessivo e progressivamente descontrolado. Embora corra o risco de generalizar, até porque as suas crises têm natureza distinta, estes países possuem presentemente um elevado rácio dívida pública/PIB (produto interno bruto), bem como um défice orçamental excessivo tendo em consideração a capacidade da sua economia. Os recursos, por sua vez, são cada vez mais limitados. Da conjugação de todos estes factores resulta um agravamento da sua situação económico-financeira, penalizada pela crescente desconfiança dos potenciais investidores financeiros. Os problemas dos países da Zona Euro são bastante profundos. São problemas estruturais os que afligem as economias destes países: os gastos são superiores ao rendimento obtido, as contas correntes sucessivamente deficitárias circunscreveram a sua população a um regime de austeridade para a qual não encontram saída, agravado, desde a crise do subprime, pela tomada de medidas precipitadas - impostas por tecnocratas de instituições europeias muito pouco democráticas - com vista à sua resolução, aumentando o défice dos Estados. Para a referida crise das dívidas soberanas contribuiu significativamente a posição dos Estados Membros excessivamente dependente das instituições da União Europeia. Dependência económica e política que começou a emergir com a perda de uma fatia considerável da sua soberania desde que estes países aderiram à união económica e monetária, abdicando de um dos símbolos mais estreitamente ligados à soberania nacional: substituir as moedas nacionais pela moeda única (o euro). Será que a curva deficitária terá colocado os PIIGS num beco sem saída? Para estes países, de facto, não se augura nada de bom no futuro. Dependem excessivamente da ajuda financeira externa e estão integrados numa organização regional constituída por países cuja maioria (como maior peso decisório) hesita em prestar o auxílio necessário. O que, infelizmente, nem surpreende: têm passados diferentes, alianças diferentes, interesses e objectivos diferentes, revelam-se incapazes de criar um espaço comum homogéneo e solidário, transformando a União Europeia num projecto artificial agravado pela precipitada construção da última fase de integração. A adesão da maioria dos Estados Membros a uma moeda única quando as respectivas economias se encontravam (e ainda encontram) em diferentes estádios de desenvolvimento haveria, mais cedo ou mais tarde, de os conduzir a uma situação de ruptura e desentendimento que se agravou com a acelerada perda de soberania, ilustrada pela transferência dos poderes nacionais para as instituições da União Europeia. Confiscada essa soberania (para o bem e para o mal), as crises mais apertadas e os problemas mais urgentes deixaram de poder ser resolvidos autonomamente, dependendo no contexto actual de vontades políticas e económicas contraditórias e exteriores. Em suma, se os países do sul da Europa (mais a Irlanda) sinalizam, em certa medida, a decadência de uma talhada significativa das democracias ocidentais – neste caso, europeias -, com uma série de debilidades estruturais que, não obstante a sua natureza distinta, colocam imensas dúvidas no plano da sua sobrevivência política, social e económica, esses sinais agravam-se por sucessivos resgates financeiros – com diferentes patamares de (in) cumprimento, é certo (a Irlanda já aparece com um pé de fora...) – que não têm dado a resposta necessária por falta de unidade e solidariedade, de uma visão política e económica amadurecida e homogénea, e pela miopia ideológica das sucessivas troikas, aplicando sucessivamente a mesma receita em doenças de natureza distinta, por mais comprovada que esteja a sua ineficácia.

publicado por adignidadedadiferenca às 20:31 link do post
02 de Fevereiro de 2015

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Após um primeiro passo rumo à mudança de orientação estética dado com o surpreendente White Chalk, Polly Jean Harvey investe novamente, no opus seguinte - Let England Shake, publicado em 2010 -, num distanciamento progressivo da herança descarnada do punk e do blues que alimentou o capítulo inicial do seu já assinalável percurso musical, o qual atinge a sua máxima expressão na teatral dramatização e na sedutora imoralidade do soberbo To Bring You My Love. Elaborado num contexto de enganador apaziguamento sonoro e reunindo, com uma precisão notável, texto, ritmo e melodia, Let England Shake serve ainda de pretexto para PJ Harvey, em doze envinagrados episódios, fazer a ponte entre o desmedido morticínio da Primeira Guerra Mundial e a hipocrisia política do mundo contemporâneo, nele sobressaindo as extremas elegância, agilidade e concisão da inventiva estrutura musical, desenvolvendo uma combinação inesperada e admirável com a amargura e o terror das magníficas e radicais súplicas verbais. Um disco extraordinário, imprescindível em qualquer discoteca básica.

All and Everyone

02 de Novembro de 2014

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«A distribuição da riqueza é uma das questões mais vivas e mais debatidas hoje em dia. Mas que sabemos verdadeiramente sobre a sua evolução a longo prazo? A dinâmica da acumulação do capital privado conduzirá inevitavelmente a uma concentração cada vez mais acentuada da riqueza e do poder em poucas mãos, tal como Marx pensou no século XIX? Ou será que, à imagem do que pensou Kuznets no século XX, as forças de equilíbrio do crescimento, da concorrência e do progresso técnico levam espontaneamente a uma redução das desigualdades e a uma estabilização harmoniosa nos estádios avançados de desenvolvimento? Que sabemos realmente sobre a evolução da distribuição do rendimento e do património desde o século XVIII, e que ensinamentos podemos daí retirar para o século XXI? São justamente estas as questões às quais tentarei responder neste livro. Digamo-lo desde já: as respostas que encontrei são imperfeitas e incompletas. Mas fundam-se em dados históricos bastante mais amplos que os usados em trabalhos anteriores., abrangendo três séculos e mais de vinte países, e apoiando-se num contexto teórico repensado que permite uma melhor compreensão das tendências e dos mecanismos em presença. O crescimento moderno e a difusão do conhecimento permitiram evitar o apocalipse marxista, embora não modificassem as estruturas profundas do capital e das desigualdades – ou, pelo menos, não tanto quanto pudemos imaginar nas décadas optimistas do pós-Segunda Guerra Mundial. Desde o momento em que as taxas de rendibilidade do capital ultrapassam de forma duradoura as taxas de crescimento da produção e do rendimento – o que foi o caso até ao século XIX e indiscutivelmente parece poder voltar a ser a norma no século XXI -, o capitalismo produz de forma mecânica desigualdades insustentáveis, arbitrárias, voltando a pôr radicalmente em causa os valores meritocráticos nos quais se fundam as nossas sociedades democráticas.»

Thomas Piketty, introdução a «Le Capital au XXIe Siècle».

19 de Outubro de 2014

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Sequência natural do anterior e igualmente meritório «Os Privilegiados», do jornalista Gustavo Sampaio, «Os Facilitadores», publicado no mês passado, prossegue o magnífico trabalho de investigação daquele. Se «Os Privilegiados» já nos oferecia uma notável visão panorâmica da promiscuidade entre o mundo da política e as actividades económico-financeiras, e entre as funções públicas e os interesses privados, na qual sobressai o tráfico de influências ou a rede de interesses convergentes entre a classe política, as empresas públicas e os negócios privados, o mais recente trabalho de Gustavo Sampaio investiga o sistema de correspondência entre o poder político, as sociedades de advogados e os interesses empresariais. O jornalista em regime «freelancer» mantém o seu «modus operandi»: sistematiza e revela as listas de clientes das maiores sociedades de advogados, a sua participação na produção legislativa ou na regulação, e a conexão político-empresarial – desde o recrutamento de políticos até à acumulação de cargos de administração nas grandes empresas. Colocando sucessivamente a questão sobre a causalidade ou a intenção nesta abundância de «padrões, coincidências e interligações», Gustavo Sampaio evita as ideias pré-concebidas e os juízos de valor, tratando o leitor com o respeito que este merece, permitindo-lhe tirar as suas próprias conclusões. Uma obra notável que evidencia a marca indelével de um sistema viciado e a sua viscosa realidade, onde as principais sociedades de advogados tanto representam o interesse público como o sector privado. Em ocasiões distintas ou em simultâneo, entre pontenciais e previsíveis conflitos de interesses.

12 de Outubro de 2014

 

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O estabelecimento e desenvolvimento de relações de cumplicidade com os Estados do Golfo - alguns deles aliados de hoje mas previsíveis inimigos de amanhã -, o fornecimento de armas e o financiamento de organizações terroristas que foram sucessivamente piorando, e o desequilíbrio da realpolitik que advém do desconhecimento da História, dos erros de avaliação e de estratégia, permitiram o crescimento de uma organização de assassinos perigosos, dementes ideológicos a coberto de uma interpretação fanatizada do Corão. Com este grupo assassino de islamo-fascistas que procura instalar pelo terror um Estado governado pela sharia, regressa a barbárie. Degolando pessoas enquanto o diabo esfrega o olho e violando mulheres a eito, estas bestas odeiam e abatem todos aqueles que discordam da sua pureza interpretativa da sharia. Neste momento, por uma questão de sobrevivência, apesar de outras ameaças, a prioridade é combater militarmente o avanço do terror do Estado Islâmico (EI). Cinicamente abandonados à sua sorte pela falência moral do Ocidente, o valente povo curdo de Kobane, na Síria, junto à fronteira com a Turquia, desde que foi assaltado pelo horror do ISIS, não tem feito outra coisa. Por eles e por nós.

publicado por adignidadedadiferenca às 19:58 link do post
24 de Agosto de 2014


«Existirá algum modo de conferir sentido aos tempos que vivemos, repletos de guerra e destruição?» A reflexão de Hannah Arendt sobre a violência e as suas motivações, num ensaio político escrito em 1969, fornece aos seus leitores as ferramentas necessárias para analisar e pensar o mundo de ontem e o actual (bem mais conturbado). Opondo-se à banalização da violência, a autora expõe as suas preocupações e recomendações. As primeiras consistem essencialmente num exame contextualizado à «relação entre guerra, política, violência e poder» e à inquietante descontinuidade entre passado e futuro; por sua vez, para combater a disseminação e a multiplicação descontrolada de sucessivos focos de violência, esta não deve escapar ao poder e à autoridade. Poder e violência são incompatíveis. Quando, como refere Hannah Arendt, alguém (governantes ou governados) detém o poder e sente que este lhe escapou das mãos, dificilmente resiste ao desejo ou à vontade de o trocar pela violência. Dito de outra forma, «toda a diminuição de poder é um convite aberto à violência». Construído e evoluindo numa linguagem elegante e francamente acessível, Sobre a Violência mantém, em suma, uma importância assinalável para tentar compreender os crescentes conflitos das sociedades hodiernas - nacionalismos, fundamentalismos, guerras e revoluções - e combater a sua erosão moral, revelando toda a actualidade e pertinência do pensamento político da sua autora.
publicado por adignidadedadiferenca às 20:27 link do post
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