a dignidade da diferença
22 de Novembro de 2016

 

PJ-Harvey-The-Hope-Six-Demolition-Project.jpeg

 

Após o inesperado golpe de rins estético, iniciado com o sereno e quase invisível White Chalk, em 2007, PJ Harvey abandona definitivamente a pele que vestiu durante a intensa, descarnada e eléctrica cavalgada sonora de punk e blues, que alimentou o capítulo inicial da sua carreira - cujo opus magnum será ainda o teatral, dramático, imoral e sedutor To Bring You My Love, de 1995, - e prossegue a via dos doze amargos episódios que compunham o magnífico Let England Shake, o qual, em 2011, serviu de pretexto para fazer a ponte entre o desmedido morticínio da Primeira Guerra Mundial e a hipocrisia da política contemporânea. Nessa linha, PJ Harvey, acompanhada pelo fotógrafo Seamus Murphy, decidiu explorar alguns dos mais recentes e devastados bairros sociais e palcos de guerra contemporâneos (leste do Anacostia, em Washington D.C., Kosovo e Afeganistão), e dessa proximidade no terreno arranca um notável, pujante e arrebatador conjunto de canções eléctricas no qual o saxofone e a percussão marcial assumem uma importância primordial. E é nesse irrepreensível mosaico musical que PJ Harvey, assumindo o papel de documentada repórter de guerra, expõe, com uma admirável precisão clínica, a arrepiante e inabitável realidade, macerada por múltiplas feridas que a crescente perversidade do poder, da religião e das desigualdades sociais impede de cicatrizar. Posicionando-se na dianteira como um dos indiscutíveis do ano, The Hope Six Demolition Project , vibrante colecção de onze corais eléctricos, plenos de acuidade melódica e insistência rítmica, será também, na linha de Let England Shake, um dos grandes discos políticos da última década.

 

 The Wheel

 

publicado por adignidadedadiferenca às 22:46 link do post
02 de Fevereiro de 2015

pj harvey 2.jpg

 

Após um primeiro passo rumo à mudança de orientação estética dado com o surpreendente White Chalk, Polly Jean Harvey investe novamente, no opus seguinte - Let England Shake, publicado em 2010 -, num distanciamento progressivo da herança descarnada do punk e do blues que alimentou o capítulo inicial do seu já assinalável percurso musical, o qual atinge a sua máxima expressão na teatral dramatização e na sedutora imoralidade do soberbo To Bring You My Love. Elaborado num contexto de enganador apaziguamento sonoro e reunindo, com uma precisão notável, texto, ritmo e melodia, Let England Shake serve ainda de pretexto para PJ Harvey, em doze envinagrados episódios, fazer a ponte entre o desmedido morticínio da Primeira Guerra Mundial e a hipocrisia política do mundo contemporâneo, nele sobressaindo as extremas elegância, agilidade e concisão da inventiva estrutura musical, desenvolvendo uma combinação inesperada e admirável com a amargura e o terror das magníficas e radicais súplicas verbais. Um disco extraordinário, imprescindível em qualquer discoteca básica.

All and Everyone

17 de Fevereiro de 2013

 

A arte da manipulação das imagens, tão bem feito que até parecem dois...

 

Juro-vos que é verdade. Intitulada Mazgani – Músico edita novo disco produzido por PJ Harvey, uma pequena notícia divulgada neste sábado pelo suplemento Atual, do semanário Expresso, começa desta forma: «Produzido por John Parish (mais conhecida por PJ Harvey)». Apetece mesmo citar Luís de Macedo no magnífico Cansaço – imortalizado por Amália: «Tudo o que faço ou não faço / outros fizeram assim / daí este meu cansaço / de sentir que quanto faço / não é feito só por mim»…

 

Uma das mais célebres aparições de John Parish... 

publicado por adignidadedadiferenca às 19:38 link do post
08 de Janeiro de 2011

 

 

Como consequência natural da renovação musical, surgem, regularmente, novos autores que pela consistência da sua dieta musical vão despertando a nossa curiosidade de melómanos convictos. A mais recente coqueluche da música indie é a inglesa Anna Calvi e merece, aparentemente, todos os elogios que lhe são destinados. Ocupa o lugar vago anteriormente ocupado por Patti Smith e toma de empréstimo o talento teatral de PJ Harvey. Com uma voz vibrante e notável presença em palco - assentando o seu discurso em farrapos sedutores de pop/rock anguloso, nocturno, corroído por melodias esqueléticas e infecto-contagiosas, de semblante carregado e magnificamente encenado -, Anna Calvi desbrava e incendeia, com agilidade e deixando profundas marcas da sua personalidade, os territórios estéticos, poéticos e sonoros de autores como Cohen ou Piaf. Feitas as apresentações, venha daí o disco e com ele as labaredas sonoras.

 

 

publicado por adignidadedadiferenca às 13:13 link do post
17 de Junho de 2008

September songs (1997) - supervisão musical de Hal Willner

 

 

 

 

Um dos grandes álbuns que saíram no ano de 1997 foi uma homenagem ao compositor alemão Kurt Weill, onde, sob a supervisão musical de Hal Willner, participaram grandes nomes da música pop de feição alternativa, músicos de vanguarda, intérpretes de jazz e também de música erudita. Todos eles emprestaram às canções de Kurt Weill um pouco – ou até bastante – da sua personalidade, favorecendo cada corpo, já de si precioso, com novas e vitais células que o ajudaram a respirar melhor e lhe deram, na grande maioria dos casos, longos anos de vida. É dessa mão-cheia de canções iluminadas por esses talentos que nos enriqueceram auditivamente com os seus diferentes pontos de vista, uns mais teatrais (como PJ Harvey ou Nick Cave), outros mais dramáticos (Lou Reed e a prodigiosa Betty Carter) sem esquecer os absolutamente inclassificáveis (Mary Margaret O’Hara), que vou recordar, pouco a pouco (para ir saboreando melhor), nos próximos «posts».

Começo com Lou Reed e PJ Harvey.

 

 

 

 

 

 

 

15 de Junho de 2008

 

C'mon Billy, de «To bring you my love» (1995) - PJ Harvey

 

publicado por adignidadedadiferenca às 01:44 link do post
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