a dignidade da diferença
06 de Maio de 2017

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Decorado sumptuosamente nos cenários luminosos de Las Vegas, "One From the Heart", exuberante celebração do artificial, da autoria de Francis Ford Coppola e com música de Tom Waits - história agridoce de um homem e uma mulher ocasionalmente desavindos, cada qual com o seu sonho concretizado noutra mulher e noutro homem - representou, em 1982, a renovação do esgotado cinema musical, evoluindo estruturalmente entre planos em constante metamorfose, num singular registo de opereta e pantomina, nele emergindo alguns belíssimos momentos de toda a história do cinema musical, como, entre outros, o número de dança colectiva nas ruas ou a belíssima canção de Nastassja Kinski, "Little Boy Blue"..

publicado por adignidadedadiferenca às 00:58 link do post
30 de Outubro de 2011

 

 

O escapismo sempre funcionou legitimamente para a grande maioria das pessoas como a melhor forma de atravessar os problemas mais difíceis das suas vidas. No período da Grande Depressão, o cinema encontrou no génio coreográfico de Busby Berkeley uma das formas mais eficazes para entreter a população. Perante a crise e a dura realidade, Berkeley respondia com a delirante fantasia. Um conjunto de histórias simples, sob pano de fundo musical e em tom ligeiro de comédia, foram a alavanca para a prodigiosa imaginação de Busby Berkeley - sobretudo Rua 42 e Orgia Dourada. Da sua cabeça deslizaram para o cinema algumas das ideias visuais mais fulgurantes da sua história; nele, era a câmara que tomava conta dos acontecimentos: ângulos impossíveis, corpos dançantes desafiando escalas, movimentos simétricos e planos picados sobre as bailarinas, configuram uma assombrosa sequência de imagens sensuais e semi-abstractas. Nos seus anos dourados, Berkeley possuía um talento admirável, ousado e elegante, cuja natureza visual contribuiu largamente para modificar a nossa forma de compreendermos culturalmente aquilo que vemos. Ao contrário do que supõe quem ocupa actualmente o seu tempo com A Casa dos Segredos e os gordinhos da Bárbara Guimarães, o melhor entretenimento sempre foi inteligente. Faltando nos dias de hoje um talento genuíno, não há como regressar ao passado. É difícil não ficarmos paralisados perante uma cena destas…

  

publicado por adignidadedadiferenca às 01:30 link do post
24 de Agosto de 2011

 

 

Desde a sua aparição no hiperclássico Singin’ in the Rain, o corpo de Cyd Charisse sempre representou mecânica, dinâmica e movimento. Quando deixou Gene Kelly literalmente de joelhos no assombroso bailado em que dança durante quatro minutos, Cyd Charisse deu uma nova vida ao musical. As mais belas pernas de Hollywood contracenaram com Fred Astaire no genial Band Wagon (1953) e, de novo, com Gene Kelly no mágico e encantador Brigadoon (1954), ambos de Vincente Minnelli. Sinuosa e carnal no primeiro, branca, generosa e fatídica no segundo.

 

 

 

Com Mamoulian, foi moscovita no Ninotchka musical, isto é, em Silk Stockings, onde lhe coube representar o papel que pertenceu anteriormente a Greta Garbo. Como escreveu Bénard da Costa, a propósito do bailado em que Charisse retira as meias de seda debaixo da almofada, «depois desse filme, nunca mais ninguém teve pernas». Porém, a Cyd Charisse mais assombrosa e mais actriz surgiu no espantoso Party Girl, do outsider Nicholas Ray. Neste filme excessivo e expressivo, trágico e sombrio, paradigma da modernidade e dado a paixões extremas, Cyd Charisse quase não dança – apesar dessa inesquecível mulher-leopardo -, quase não canta; é prodigiosamente ambígua, simultaneamente angélica e demoníaca, trágica e felina.

 

 

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