a dignidade da diferença
31 de Dezembro de 2016

David Bowie e Leonard Cohen ofereceram-nos duas magníficas despedidas. Blackstar é o melhor trabalho de Bowie desde 1.Outside (1995) e Cohen não gravava nada tão bom desde o sublime Songs of Love and Hate (1971). Mas a terceira idade não ficou por aqui: também Paul Simon deixou a sua marca este ano com o extraordinário e ousado Stranger to Stranger e Iggy Pop com o inesperadamente óptimo Post Pop Depression. Se adiantarmos que PJ Harvey (autora do fabuloso The Hope Six Demolition Project) e os Tindersticks (que exploraram novos caminhos, ampliando a sua paleta sonora em The Waiting Room) já andam nestas andanças há três décadas, será caso para afirmar que em 2017 impôs-se a veterania. Numa lista tão curta ficou de fora algo injustamente o regresso de Shirley Collins, após um longuíssimo interregno, bem como as óptimas gravações de Charlie Hilton, Christy Moore, Fred Hersch e Gisela João, o prodígio de improvisação do último álbum do saxofonista Henry Threadgill, a voz extraordinária de Anna Netrebko (oiçam-na em Verismo), La Mascarade, de Rolf Lislevand, e ainda as clássicas interpretações de Harnoncourt (quarta e quinta sinfonias de Beethoven) e Daniil Trifonov.

 

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PJ Harvey, "The Hope Six Demolition Project"

 

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Michael Formanek/Ensemble Kolossus, "The Distance"

 

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BADBADNOTGOOD IV 

 

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Ensemble Céladon/Paulin Bündgen, "The Love Songs of Jehan de Lescurel"

 

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Paul Simon, "Stranger to Stranger"

 

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William S. Burroughs, "Let Me Hang You"

 

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Alisa Weilerstein/Pablo Heras-Casado, "Shostakovich: Cello Concertos 1, 2"

 

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Anna Meredith, "Varmints"

 

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Tindersticks, "The Waiting Room"

 

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Sampladélicos, "Não Nos Dexeis Cair em Tradição"

 

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Mark Dresser Seven, "Sedimental You"

 

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Lucia Cadotsch, "Speak Low"

publicado por adignidadedadiferenca às 21:12 link do post
26 de Dezembro de 2016

 

Entre o que de mais relevante passou pelas salas de cinema portuguesas, o destaque vai para os inconformistas e desafiantes Apichatpong Weerasethakul e Paul Verhoeven (com o inquietante e moralmente ambíguo Elle), os promissores e desconcertantes László Nemes (autor de um soberbo filme sobre os campos de extermínio nazis) e Corneliu Porumboiu, o sublime classicismo de Ira Sachs, o belo regresso de Pedro Almodóvar ao melodrama ou a descoberta dos prodigiosos Boris Barnet (o mudo A Casa na Praça Trúbnaia) e Larissa Shepitko (com Asas e, sobretudo, Ascensão) na recente e marcante exibição do Ciclo de Cinema Russo no Cinema Nimas. O último e magnífico filme de Hou Hsiao-Hsien, A Assassina, fica de fora por já ter feito parte das escolhas de 2015. Uma última palavra para Well Or High Water (Custe o Que Custar!), cujo autor, David Mackenzie, foi capaz de trabalhar e renovar a herança de Sam Peckinpah e para Os Oito Odiados, um Quentin Tarantino peculiar, que só não integra a lista porque apenas reservei lugar para dez escolhas, que também poderiam incluir os óptimos A Academia das Musas, de José Luis Guerín, e Eu, Daniel Blake, de Ken Loach...

 

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Experimenter, de Michael Almereyda

 

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Julieta, de Pedro Almodóvar

 

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A Casa na Praça Trúbnaia, de Boris Barnet

 

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Hell Or High Water, de David Mackenzie

 

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O Filho de Saul, de László Nemes

 

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Tesouro, de Corneliu Porumboiu

 

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O Amor é Uma Coisa Estranha, de Ira Sachs

 

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Ascensão, de Larissa Shepitko

 

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Ela, de Paul Verhoeven

 

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Cemitério do Esplendor, de Apichatpong Weerasethakul

publicado por adignidadedadiferenca às 19:56 link do post
14 de Dezembro de 2016

Entre edições e reedições de uma série de obras de ficção, poesia, história, política, cinema, religião, ensaio, divulgação científica e filosofia, estes terão sido os livros que mais gostei de ler durante o corrente ano. De fora ficaram os óptimos e potencialmente elegíveis Sangue Azul Gelado, do russo Iúri Buida, retrato desencantado e original de uma actriz que procura ambientar-se num clima hostil, e O Antigo Egipto, de Donald P. Ryan, onde é sugerida uma fascinante viagem a lugares míticos do Egipto. Doze livros para doze meses, correspondendo cada um deles a um dos meses do ano, dispostos por ordem alfabética. Injusto seria não realçar que também poderiam estar aqui o Ricardo Araújo Pereira, com as suas singulares considerações sobre o humor, enunciadas no recente A Doença, o Sofrimento e a Morte Entram Num Bar, bem como a reedição das labaredas do intenso Um Copo de Cólera, de Raduan Nassar, prémio Camões 2016...

 

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Poemas Escolhidos, de T. S. Eliot

 

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Pequena Escola do Pensamento Filosófico, de Karl Jaspers

 

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Bisonte, de Daniel Jonas

 

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A Paixão da Física, de Walter Lewin e Warren Goldstein

 

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Uma Causa Improcedente, de Claudio Magris

 

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O Islão e o Ocidente, A Grande Discórdia, de Jaime Nogueira Pinto

 

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Judas, de Amos Oz

 

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Eugénio Onéguin, de Aleksandr Púchkin

 

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A Descrição da Infelicidade, de W. G. Sebald

 

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O Caso do Camarada Tulaev, de Victor Serge

 

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Como Ver Um Filme, de David Thomson

 

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Passos Perdidos, de Paulo Varela Gomes

publicado por adignidadedadiferenca às 17:52 link do post
31 de Dezembro de 2015

 

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Francisco Bethencourt, «Racismos, Das Cruzadas ao Século XX»

 

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Italo Calvino, «Porquê Ler os Clássicos?»

 

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John Darwin, «Ascensão e Queda dos Impérios Globais 1400-2000»

 

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Atul Gawande, «Ser Mortal»

 

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Ivan Gontcharov, «Oblomov»

 

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Javier Marías, «Assim Começa o Mal»

 

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Olivier Rolin, «O Meteorologista»

 

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Carl Schmitt, «O Conceito do Político»

 

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François Truffaut, «Os Filmes da Minha Vida»

 

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Voltaire, «Tratado Sobre a Tolerância»

 

publicado por adignidadedadiferenca às 10:10 link do post
27 de Dezembro de 2015

 

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The Apartments, «No Song, No Spell, No Madrigal»

 

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Camané, «Infinito Presente»

 

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Giuliano Carmignola, «Bach: Violin Concertos»

 

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Fred Hersch, «Solo»

 

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Julia Holter, «Have You in My Wilderness»

 

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Pavel Haas Quartet, «Smetana: String Quartets»

 

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Schlippenbach Trio, «Features»

 

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Shye Ben Tzur, Jonny Greenwood and The Rajasthan Express, «Junun»

 

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Richard Thompson, «Still»

 

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The Unthanks, «Mount the Air»

 

publicado por adignidadedadiferenca às 18:57 link do post
22 de Dezembro de 2015

 

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Paul Thomas Anderson, Vício Intrínseco

 

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Peter Bogdanovich, Ela é Mesmo... o Máximo!

 

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Hou Hsiao-Hsien, A Assassina

 

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Hayao Myiazaki, As Asas do Vento

 

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Nanni Moretti, Minha Mãe

 

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Christian Petzold, Phoenix

 

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Alice Rohrwacher, O País das Maravilhas

 

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Retrospectiva de Roberto Rossellini

 

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Retrospectiva de Jacques Tati

 

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Frederick Wiseman, National Gallery

 

publicado por adignidadedadiferenca às 01:43 link do post
01 de Janeiro de 2015

E, por fim, aqui fica registada a escolha dos álbuns mais relevantes de 2014 em função dos seus traços de personalidade que escapam ao modelo copista que infecta a quase totalidade da produção universal. Contudo, esta lista poderia ser substituída sem significativa desvalorização patrimonial pelas mais recentes publicações de Clifford Brown, Anna Calvi, Capicua, Pablo Heras-Casado, Leonidas Kavakos & Yuja Wang, Hamilton Leithauser, Paco de Lucia, The Phantom Band, Real Combo Lisbonense, Marc Ribot Trio, Tune Yards ou Suzanne Vega. E ainda conseguiria acrescentar um ou dois que ficarão, no entanto, injustamente esquecidos.

 

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Ambrose Akinmusire

 

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Tony Allen

 

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Cecilia Bartoli, Muhai Tang

 

 

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The Delines

 

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Bob Dylan and The Band

 

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FKA twigs

 

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Jerusalem Quartet

 

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Amélia Muge

 

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Ricardo Rocha

 

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St. Vincent

 

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Tre Voci

 

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Mark Turner Quartet

publicado por adignidadedadiferenca às 12:07 link do post
28 de Dezembro de 2014

Desta já de si reduzida escolha sobressai apenas o assombroso Cavalo Dinheiro, de Pedro Costa. Os restantes serão, na sua diversidade estética, formal e substancialmente muito bons. A esta lista acrescentaria talvez uma meia-dúzia de filmes estimáveis e nada mais merece destaque em 2014. O resto resume-se a uma confrangedora e generalizada falta de ideias e a uma preocupante disposição para a infantilização.

 

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Wes Anderson, Grand Budapest Hotel

 

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Pedro Costa, Cavalo Dinheiro

 

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Jean-Pierre e Luc Dardenne, Dois Dias, Uma Noite

 

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James Gray, A Imigrante

 

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Pawel Pawlikowski, Ida 

 

publicado por adignidadedadiferenca às 01:08 link do post
27 de Dezembro de 2014

Salvaguardando evidentemente tudo o que foi publicado e não tive oportunidade de ler, ver ou escutar, o que vou escrever tanto vale para livros, como para filmes e discos, e ninguém me convencerá do contrário. O ano que está quase a terminar terá sido pouco entusiasmante; entre reedições e novas edições, raras foram as obras que, escapando à tendência copista e à mediocridade generalizada, merecem ser recordadas pela sua originalidade. Em suma, uma escolha minimalista…

 

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 Saul Bellow, Agarra o Dia

 

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Hermann Broch, A Morte de Virgílio

 

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Paulo Varela Gomes, Ouro e Cinza

 

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Art Spiegelman, Maus

 

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Xenofonte, A Retirada dos Dez Mil 

publicado por adignidadedadiferenca às 20:03 link do post
08 de Dezembro de 2014

LIVROS

 

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Agarra o Dia, Saul Bellow

 

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Poemas Escolhidos das Irmãs Brontë, Charlotte, Emily e Anne Brontë

 

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Toda a Mafalda, Quino

 

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As Avenidas Periféricas, Patrick Modiano

 

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A Retirada dos Dez Mil, Xenofonte (traduzido por Aquilino Ribeiro)

 

FILMES

 

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The Grand Budapest Hotel, Wes Anderson

 

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Fanny e Alexandre, Ingmar Bergman

 

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Os Maias - Cenas da Vida Romântica, João Botelho

 

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A Imigrante, James Gray

 

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Ida, Pawel Pawlikowski

 

DISCOS

 

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St Petersburg, Cecilia Bartoli

 

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Sun Zoom Spark: 1970 to 1972 (4 CD), Captain Beefheart

 

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The Bootleg Series Vol. 11 The Basement Tapes Complete (6 CD), Bod Dylan and The Band

 

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Charlie Haden - Jim Hall

 

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Amélia Com Versos de Amália, Amélia Muge 

publicado por adignidadedadiferenca às 17:01 link do post
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