a dignidade da diferença
18 de Outubro de 2015

 

june tabor foto.jpg

 

«June Tabor is one of our day’s most commanding and distinctive voices and interpreters of traditional and contemporary song. She has a voice that undoes the usual cultural and critical trammels that bind the beast called Folk. After all, folk music, like religion (as distinct from faith), has been bound and hogtied by idealism, literalism, pronouncements of heresy and ownership squabbles from the Enlightenment and Machine Age through to Modern Times. Like those of her finest fellow confederates and international fellow-travels in the genre, June’s accomplishments and fluidity of approach have created a body of Art with a capital A. But when all is said, done and sung, she is the personification of the singer and the song. Naturally, she is primarily seen as a “folksinger”, a “folk revivalist” or some title with “folk” in it because she has long operated in acoustic music contexts and because, more often than not, folk is used in its most journeyed catch-all sense of folk being whatever people want to be. First and foremost however, June Tabor is an extraordinary teller of tales. She may claim that is a love of the rhyme rather than tales from the stave that motivate her, but her marriage of meaning and music is nonpareil (…) she has repeatedly experimented in areas far removed from the “confines” in which she is generally pigeonholed of perceived to operate. (…) And that is, regardless of the musical genre, whenever you listen to June Tabor, she can never be mistaken for any other voice. It has nothing to do with the vocal register – her voice is unique – and everything to do with a voice that sings folksong, chanson and beyond.»

Ken Hunt, in Always (2004)

 

 All Our Trades Are Gone

 

publicado por adignidadedadiferenca às 19:38 link do post
25 de Outubro de 2014

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«First and foremost however, June Tabor is an extraordinary teller of tales. She may claim that it is a love of the rhyme rather than tales from the stave that motivate her, but her marriage of meaning and music is nonpareil. As “Always” shows, she has repeatedly experimented in areas far removed from the “confines” in which she is generally pigeonholed or perceived to operate. Furthermore, it demonstrates that she has regularly brought the waft of the new – and the new as only she could do it – to the over-familiar. Long ago liberated to fly out of the folkie cage, all it took was imagination, accompanists, audience and, signally, a repertoire which has gone from the cinematography of Anglo-Scottish balladry and Ralph McTell to “kicking out the jams” à la Grace Slick, from Brecht to Barker, from German folksong to French trouvére ballad, from Carlos Antonio Jobim via the Gershwins to Yiddish threnody. It all sounds so simple with hindsight.»

Ken Hunt

 

03 de Abril de 2011

 

Eis aquela que é, quanto a nós, a discografia essencial de June Tabor - e ainda ficam de fora, pelo menos, os excelentes Aqaba, No More to the Dance (Silly Sisters) e Apples -, a mais extraordinária cantora britânica da actualidade. Musical e geograficamente situada algures entre a folk clássica, a tradição europeia, o renascimento e a literatura medieval, June Tabor abraçou não raras vezes a pop e cantou os seus mais extraordinários autores, criou, com Maddy Prior, as notáveis Silly Sisters, aderiu episodicamente ao exuberante festim punk da Oyster Band e - não há bela sem senão - não se deu assim tão bem com o jazz. Deixa-nos uma obra valiosíssima, uma verdadeira quimera, cujo capítulo mais recente - o devastador Ashore - é uma das suas jóias mais preciosas. O universo de June Tabor é o de uma excelsa e tradicional contadora de histórias; não procurem aqui o último grito da moda, nem os sintomas da mais recente novidade, pois o que encontram é a intemporalidade de uma voz grave, densa, majestosa - ultimamente acompanhada por um rigoroso, expressivo e luminoso ensemble instrumental -, tão essencial como o ar que respiramos. Experimentem, depois de a escutar, passar sem esta música.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

publicado por adignidadedadiferenca às 16:37 link do post
14 de Janeiro de 2010

 

June Tabor - Always (2005)

 

 

 

 

publicado por adignidadedadiferenca às 20:33 link do post
19 de Dezembro de 2008

E para quem não se deixar atrasar e tiver a sorte de ainda o encontrar, como aconteceu comigo quando me desloquei à FNAC durante esta semana, faça o favor de comprar isto:

 

O paradigma perfeito da música popular no que ela contém de mais tradicional. Vozes prodigiosas e expressivas de mãos dadas com um sentido estético admirável capazes de, com o apoio instrumental reduzido ao rigorosamente indispensável – quase sempre, não mais do que um piano e um violino -, transformar o mais pequeno pormenor em riqueza sonora, são matéria musical mais do que suficiente para abalar os sentidos de qualquer ouvinte suficientemente atento.

Sandy Denny, June Tabor, Richard & Linda Thompson reunidos num disco só e uma versão absolutamente arrepiante do genial «Sea Song» de Robert Wyatt, fazem desta gravação a prenda ideal para oferecer este ano a quem faz da música a sua máxima paixão.

Uma obra-prima de 2007, que só tive o prazer de escutar há muito poucos dias.

 

My Donald

 

Sea Song

 

04 de Dezembro de 2008

 

De vez em quando preciso de ouvir esta mulher. Funciona, para mim, como uma espécie de panaceia para sarar as feridas infectadas pelos meus estados de alma. E também ajuda, obviamente, o blog a respirar muito melhor.

Para aqueles que visitarem o meu blog, aceitem este gesto como uma prenda antecipada de natal - o you tube, por vezes, consegue proporcionar surpresas destas.

Uma voz sublime em perfeita articulação com o silêncio e o uso (rarefeito) do suporte instrumental, cujas notas encenam na perfeição o sentido dos textos e têm a capacidade rara de nos emocionar com aquela marca intransmissível de intemporalidade. 

 

 

 

 

 

 

 

 

publicado por adignidadedadiferenca às 19:39 link do post
16 de Julho de 2008

                                     

                                   June Tabor

 

 

publicado por adignidadedadiferenca às 22:05 link do post
29 de Maio de 2008

I want to see the bright lights tonight - Richard and Linda Thompson (1974)

 

 

O mais perfeito e solitário dos discos que Richard Thompson gravou com a sua mulher Linda.

Melodias memoráveis e intemporais nas vozes sublimes de Linda (só comparável a Sandy Denny e June Tabor) e Richard Thompson desaguam fatalmente em canções fundas e sem remédio, atingindo em «Has he got a friend for me?»  e «The end of the rainbow» o limite suportável da tragédia humana.

Tanta dor e crueldade, aparentemente, parecem apenas destinadas a ouvidos tão habituados ao sofrimento que este já não lhes provoca qualquer tipo de reacção, não é assim? Errado, perfeitamente errado.

O milagre sonoro é de tal ordem que as canções, inequivocamente sombrias e devastadoras, surgem, num último fôlego, matizadas pela excelência da interpretação e pelo rigor musical que, servindo-se de uma paleta instrumental maioritariamente tradicional, encontra, de uma forma densa e penetrante, soluções ricas e inesperadas para todas as equações, recebendo, inesperadamente, uma vida nova e um colorido sonoro portentoso que as salva do abismo e nos convoca para mil e uma chamadas.

Obra-prima inclassificável.

 

 

.  

The end of the rainbow

 

the great valerio

 

withered and died

03 de Maio de 2008

É aqui que eu venho encher os pulmões de ar puro quando estes já não aguentam o caos urbano naquele que é, para um ateu confesso, o único encontro possível com o divino.

 

 

 

O exemplo tanto podia vir de «A quiet eye», como de «Angel tiger»,  de «Rosa mundi», de «Against the streams» ou dessa imensa e definitiva caixa de 4 cds que tem por título «Always» e que, por entre inéditos e raridades, resume na perfeição toda a carreira da primeira dama da folk britânica. Esta é, contudo, uma definição demasiado redutora para a dona de uma voz prodigiosa que, como ninguém, parte da tradição para, apoiando-se apenas nas partículas que julga essenciais para desenhar uma melodia, nos dar uma visão universal e intemporal do silêncio que se ouve, respira e vem da natureza.

publicado por adignidadedadiferenca às 02:05 link do post
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