a dignidade da diferença
08 de Setembro de 2012

 

 

«Idealmente, não são as obras que devem agradar aos homens, mas os homens que deveriam tentar estar à altura das obras. Não cabe ao espectador/consumidor escolher a sua obra, mas à obra escolher o seu público, determinando quem é digno dela. Não nos compete julgar Baudelaire ou Malevitch; são eles que nos julgam e que julgam a nossa faculdade de julgamento. A obra, nesta perspectiva, não deve estar ao “serviço” do sujeito que a contempla. Podíamos dizer da arte o que é válido para a ética: estabelece parâmetros, indica onde é que os indivíduos deveriam esforçar-se por chegar – e não o contrário. Uma das funções da arte foi sempre mostrar aos indivíduos um mundo superior, no qual encontrávamos a liberdade e a intensidade cuja ausência se fazia sentir tão cruelmente na vida de todos os dias. A arte deixava entrever modos de vida mais elevados e mais essenciais, tanto na epopeia como na primeira pintura abstrata – e confrontava assim o individuo com o estado do mundo real.»

Anselm Jappe, Sobre a Balsa da Medusa, tradução de José Alfaro

06 de Outubro de 2011

 

 

Parece que os nossos governantes já terão decidido a privatização irreversível da RTP.  Será um dano incalculável a inexistência de um canal público de televisão. Devíamos estar a discutir a qualidade do serviço público que a televisão deveria prestar e não a sua existência. Como claramente referiu António Pedro Vasconcelos, comparado a situação à que se vive na Justiça «Não há nenhum português que não se queixe da justiça mas nenhum diz que prefere as milícias privadas». Depois de se saber aquilo que vão fazer com a Cinemateca Portuguesa - programação condicionada a critérios de bilheteira e passando pelo crivo do Secretário de Estado da Cultura -, iremos assistir ao prolongamento dos disparates culturais típicos da cegueira e da ignorância neo-liberal, cuja doutrina tem sido a bandeira deste Governo. Mas continuemos, a propósito, com APV, que é dos poucos que tem autoridade para falar do assunto, neste pequeno excerto da óptima entrevista que deu ao semanário Expresso: «Sabes que se diz que o cinema é a memória e a televisão é o esquecimento. Dizia o Fellini quando fez o “Ginger e Fred”. Ele sabia a televisão que vinha aí, uma torneira de deitar imagens. E o que ninguém diz é que a democracia faliu. Porque é que é um crime de lesa-pátria deixar de exigir a melhoria da televisão e rádio públicas? (…) Podes criticar muito a televisão pública mas é a única que não tem telenovelas. Que tem uma programação vertical, que tem um telejornal que impede os outros de serem uma vergonha. Como dizia o homem do Channel 4, a BBC obriga-nos a ser melhores. Onde é que aparecem todos os grandes humoristas portugueses? Na RTP. Estou longe de achar que o “Prós e Contras” é o melhor programa do mundo, mas é o único onde ainda podes discutir alguma coisa. É na RTP que podes ver documentários. Os portugueses vêem cinema três horas e meia por ano e vêem 3 horas e meia por dia de televisão. A bandalheira começou com o “Big Brother”, que deu origem aos noticiários de hora e meia. Noticiários sob forma de folhetim. Para que serve um telejornal numa privada? Não é para informar. Serve para fixar o espectador ao prime-time e para marcar a agenda política.»

06 de Abril de 2011

 

 

A casa que procura formar, educar e aprofundar o gosto cinematográfico, e oferecer condições para a fruição de um bem estimável como é o cinema a muita gente, passa actualmente por momentos financeiramente complicados, fruto das novas regras de gestão orçamental. As restrições deixaram, nas palavras da sua directora, Maria João Seixas, «a autonomia administrativa e financeira da casa gravemente afectada». As sessões diárias foram reduzidas, os filmes não legendados deixaram de ser acompanhados pela legendagem electrónica porque acabaram as verbas destinadas a esse serviço. E, mais grave ainda, a directora da Cinemateca avisa que «o espólio e o arquivo da Cinemateca podem estar em risco», devido às regras que impedem os organismos públicos de gerir o seu orçamento. Ou seja, de corte em corte, fruto deste capitalismo selvagem galopante que tudo devora e definha, lá vamos assistindo à continuada deterioração do nosso património cultural, o qual, no caso concreto, também é universal. Uma notícia triste para quem tanto gosta de cinema e passou tardes e noites incontáveis no edifício da Rua Barata Salgueiro.

publicado por adignidadedadiferenca às 23:57 link do post
13 de Julho de 2008

Aproveito para divulgar por aqui um site simplesmente excepcional, que nos vai servir de guia através do vastíssimo território cultural e artístico de imensos museus mundiais, e nos irá fazer chegar, por essa via, ao mundo da pintura, da escultura, sem esquecer a pinoteca e os slides, assim como as músicas e outras coisas mais...

Numa única palavra: assombroso.

 

Eis o link do site: http://www.sabercultural.com

publicado por adignidadedadiferenca às 01:27 link do post
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