a dignidade da diferença
13 de Abril de 2014

 

 

Agora que estamos envolvidos em mais uma polémica, desta vez entre a segunda figura do Estado e os Militares de Abril (mais os sinais saudosistas do ex-Presidente da Comissão Europeia em relação ao sistema de ensino do Estado Novo), nunca é demais recordar e agradecer a acção determinante destes últimos para acabar com um regime ditatorial responsável, por exemplo, pela criação, a partir da PVDE (Polícia de Vigilância e Defesa do Estado), de uma polícia política – a PIDE (Polícia Internacional de Defesa do Estado), a qual, a partir de 1969, mudaria o nome para Direcção Geral de Segurança (DGS) – cujo comportamento criminoso foi o espelho da doutrina ideológica que orientou toda a actividade governativa desse regime repressivo e dos seus actores políticos.  E não convém ainda esquecer a decisão dos militares de regressar, anos mais tarde - muito cedo, no entanto, quando comparado com situações semelhantes noutros países -,  exclusivamente à vida dos quartéis, entregando os destinos do país à sociedade civil. Para convocar consciências, instruir os ignorantes e recuperar a memória dos que sofrem de amnésia, nada melhor que a leitura de A História da PIDE, o notável e laborioso trabalho da historiadora Irene Flunser Pimentel. Fica-se a conhecer, nesta obra, a conduta repressiva da PIDE em relação a quem ousasse contestar o regime (os adversários); a sua relação com o Estado; os métodos utilizados, desde a vigilância à investigação, sem esquecer as modalidades de tortura e as suas vítimas. Uma obra de investigação essencial, embora, quando procura fazer um registo exaustivo dos detalhes, caia, por vezes, numa análise excessivamente minuciosa, não evitando algum cansaço a quem decide investir o seu tempo em tão importante aprendizagem. Mas o balanço final é francamente positivo.

25 de Abril de 2012

 

 

Brandos Costumes, de Alberto Seixas Santos, e 48, de Susana de Sousa Dias, são os dois melhores filmes portugueses cujo tema se associa sem dificuldade ao 25 de abril, mesmo que neles não se retrate o dia da liberdade propriamente dito mas sim o longo e anterior período de ditadura. Contudo, são eles que melhor retratam a inércia e a encruzilhada civilizacional a que chegáramos (Brandos Costumes) ou os mecanismos odiosos utilizados pelo regime de então para perpetuar o seu modelo autoritário e impiedoso sem se preocupar com o sofrimento causado aos muitos que ousaram resistir-lhe. Brandos Costumes, de 1974, magnífica reflexão sobre a História de um país a partir do retrato minucioso de uma família burguesa, das suas relações ou trajetória, tornou-se um clássico do cinema português, embora, na verdade, apenas seja conhecido por uma pequena minoria. O documentário 48 (que foram os anos vividos em ditadura), de 2011, focado no rosto de dezasseis presos políticos para explicar a essência de todo um sistema político, acabou agora mesmo de ser editado em DVD e ficou assim disponível para os interessados. Duas boas ideias para diminuir a ignorância sobre o tema.

 

25 de Abril de 2010

 

José Mário Branco/Natália Correia: Queixa das Almas Jovens Censuradas

 

publicado por adignidadedadiferenca às 18:17 link do post
25 de Abril de 2008

 

 

 

 

 

Na música portuguesa, a revolução fez-se em 1971 com «Cantigas do Maio» de José Afonso, «Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades» de José Mário Branco e «Os sobreviventes» de Sérgio Godinho. Foi aqui que nasceram outras ferramentas para o som. Mais uma vez, a música à frente do país... 

 

 

publicado por adignidadedadiferenca às 23:04 link do post
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Já tive o livro, de facto. Contudo, foi mais ou me...
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Não deixa de ser um belo aforismo...
O que é a vida, senão um turbilhão de pensamentos ...
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