a dignidade da diferença
17 de Agosto de 2014

«O que eu também defendo é que existe uma diferença entre o conhecimento de outros povos e de outros tempos que é produto do entendimento, da compaixão, do estudo cuidadoso e da análise séria, e, por outro lado, o conhecimento (…) que faz parte de uma abrangente campanha de auto-afirmação, beligerância e guerra directa. Existe, afinal de contas, uma profunda diferença entre a vontade compreender por razões de co-existência e de alargamento de horizontes humanísticos, e a vontade de dominar por razões de controlo e domínio externo. É com certeza uma das catástrofes intelectuais da história que uma guerra imperialista, confeccionada por um pequeno grupo de oficiais norte-americanos não-eleitos (…) tenha sido lançada contra uma ditadura do Terceiro Mundo (já devastada) por razões unicamente ideológicas, que se prendem com o domínio do mundo, o controlo da segurança e a escassez de reservas, mas cujas verdadeiras intenções foram mascaradas, apressadas e justificadas por orientalistas que traíram a sua vocação de eruditos.»

Edward W. Said, Orientalismo

 

 

Segundo o autor, o Orientalismo consiste genericamente num estilo de pensamento que distingue Ocidente e Oriente – diferença ontológica e epistemológica – como ponto de partida para produzir teorias políticas e sociais, romances ou epopeias a respeito do oriente, da sua gente, cultura, dos seus costumes, desígnios e mentalidade. Essa distinção foi aceite por uma assinalável quantidade de académicos, romancistas, filósofos, poetas, políticos, economistas ou administradores imperiais. Material e historicamente, para Edward Said, o Orientalismo pode significar ainda um estilo ocidental desenvolvido para dominar, reestruturar e exercer influência sobre o Oriente.

publicado por adignidadedadiferenca às 18:44 link do post
O fato é que o domínio está presente até mesmo no reino animal. As formas de domínio precisam estão inclusive nos mínimos detalhes. Focault já falava da Microfísica do Poder. Eu cito, então, John Holloway, em que ele diz no título de seu livro que é preciso "Mudar o mundo sem tomar o poder. somlivros.weebly.com
Som Livros usados a 17 de Agosto de 2014 às 22:45
Com certeza. Porém, continuo a pensar que se nada nos distingue dos animais, então quase que não vale a pena cá andarmos. P.S. O trabalho do Edward Said é muito meritório, explica ou, pelo menos, ajuda a esclarecer algumas razões dos conflitos, mas, nesta matéria, está longe de mostrar o quadro completo. É essa a sua fragilidade.
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