a dignidade da diferença
24 de Abril de 2016

 

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«No cinema, afirmou-se como estrela em Hollywood nos anos 70, construindo uma personagem grosso modo definida como a de um ícone de presença forte, lacónico em palavras e que, tanto na paisagem do western como na paisagem urbana das histórias policiai, se caracterizou por se colocar sempre não no interior do sistema, não ao seu lado, mas contra ele. Ou, pelo menos, numa posição de desafio sempre que o sentido de justiça lho exigia. Mesmo se logo no início desses anos 70, perseguiu projectos que, como actor, estendessem o seu campo de acção e destruíssem o estereótipo (…) e ainda que fosse quase sempre isso mesmo que tentou nos seus filmes no duplo papel de actor e realizador, o rasto da sua personagem cinematográfica manteve-se durante largo tempo mais poderoso do que os próprios projectos e a própria natureza do trabalho que neles desenvolveu. Se houve, e houve, quem fosse reconhecendo a assinatura de um estilo nos seus filmes como realizador, a consistência da sua abordagem, ainda nessa década, também é certo que lhe foram exigidas provas sobre provas nesse capítulo. (…) Sendo algo de profundamente enraizado na prática cinematográfica de Eastwood, a tradição do cinema clássico nunca é um modelo nos seus filmes. Ele não é o último dos clássicos muito embora a designação seja mais do que apregoada, tentadora. É alguém directamente vindo do cinema clássico, formado no cinema clássico, alguém cujo cinema tem e guarda o lastro do cinema clássico, mas que tem um olhar moderno. Como no princípio, continua a falar do cinema como um meio de contar histórias e é para contar histórias, diz ele ainda, que continua a filmar.»

Maria João Madeira, in Clint Eastwood, Um Homem Com Passado

 

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