a dignidade da diferença
06 de Abril de 2014

Um livro indispensável para se aprender a usar correctamente a nossa língua materna, enquanto «organismo vivo em permanente evolução», a qual, segundo as autoras, é encarada nesta obra de duas perspectivas distintas, mas que se completam: como meio de comunicaçao e como objecto de estudo. Determinante para quem pretende desenvolver a clareza de discurso e de raciocínio, trata-se de um trabalho especializado, embora acessível, que se destina sobretudo a cidadãos e muito pouco a meros consumidores.

 

 

«Obrigatório é conhecer o funcionamento da língua, suas regras e excepções, para não se cair no ridículo de dizer e escrever «as bolsas caiem por causa da guerra» ou «hádem fazer o que for necessário para resolver a crise»; «tolerável» pode ser a opção pelo género masculino de personagem, «Rogério Samora representou bem o personagem»; de «emprego facultativo» pode ser a escolha entre estadia e estada, seja em relação a pessoas, seja em relação a navios; «grosseiro» é confundir adesão com aderência, ir ao encontro de com ir de encontro a, preferir massivo a maciço; «inadmissível» é que «hajam tantas pessoas a maltratar a sintaxe do verbo haver». A aprendizagem da língua materna não se reduz à simples aquisição de conhecimentos, pois é factor indispensável para a formação de uma personalidade intelectual, social e cultural, capaz de aprender, de intervir socialmente, de evoluir linguisticamente e de se adaptar a todas as situações de comunicação. Sendo a língua materna simultaneamente objecto e instrumento de aprendizagem e meio de acesso a múltiplos saberes, o domínio que dela se possa ter condiciona o êxito individual. Aprender a falar e a escrever é aprender a comportar-se como ser humano. É um meio para aceder à plena cidadania. Falar não é só saber articular os sons. É saber organizar e exprimir com clareza o pensamento. Escrever é uma técnica que evolui e se consolida com a prática continuada. É um facto: prendemos a falar, falando e a escrever, escrevendo. E aprendemos a falar e a escrever, lendo e comunicando.»

Edite Estrela, Maria Almira Soares e Maria José Leitão, Saber Escrever Saber Falar.

Por acaso conheço um eminente prof. de economia que diz "pugresso" em vez de "progresso" e "solariadade" em vez de "solidariedade".
Manuel a 10 de Abril de 2014 às 02:00
Ah, mas isso é numa língua "culta": o economês...
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Já tive o livro, de facto. Contudo, foi mais ou me...
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Não deixa de ser um belo aforismo...
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Pelo tema, enquadra-se nela sem grande esforço...
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