a dignidade da diferença
20 de Fevereiro de 2008

Aleksandr Sokurov - Mãe e filho (1997)

 

Como muito bem refere Inês Pedrosa na sua última crónica no jornal «O expresso»,  poupa-se às crianças (e, digo eu, aos adultos), cada vez mais, o contacto com qualquer coisa que se assemelhe a uma realidade difícil, seja ela Os Lusíadas ou a morte de alguém, fazendo com que os meninos de hoje cresçam num mundo virtual, em que tudo tem de ser jogo e animação e festa.

Para contrariar esse descaminho, nada melhor do que este filme que conta uma história feita de coisas simples e duras. Aqui, mostra-se apenas(?) o carinho com que um filho trata a sua mãe durante os (últimos) dias em que esta sente a proximidade da morte. Ou seja, precisamente o contrário do que as pessoas desejam, hoje, ver e partilhar.

A recompensa está, porém, para quem, nele, souber ver a força esmagadora da natureza e uma profunda emoção e beleza estética.

Aqui mora, como se de um sopro divino se tratasse, a mais perfeita relação entre a pintura e as imagens em movimento, vivida nos anos 90 do século passado.

 

Um estilo único e admirável que se serve entre muitas outras coisas, dos interiores e dos castanhos de Rembrandt,

 

 

das paisagens de Harpignies,

 

 

do esplendor de luz e cor de Turner,

 

 

 

 

do génio da pintura moderna de Cézanne e da sua relação com a montanha,

 

 

 

 

e do impressionismo de Renoir

 

 

 

 

Mas o melhor, mesmo, é ver o filme. 

 

 

 

publicado por adignidadedadiferenca às 00:39 link do post
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