a dignidade da diferença
03 de Agosto de 2008

Na volta que dei ontem à tarde pela Fnac do Chiado e depois de ter decidido aquilo que iria comprar, reparei, quando me deslocava para as caixas de pagamento, num dos expositores da loja onde se encontrava cerca de uma dúzia (para mais e nunca para menos) de exemplares da estreia dos Hugo Largo - mítica banda dos anos 80 cujo som se construiu essencialmente com  a voz de Mimi Goese, dois baixos, violino e, muito ocasionalmente, guitarra  -, ou seja, o magnífico (e isto é dizer o mínimo) «Drum» a um preço imbatível: EUR 2,99 (!!!).

 

Não comprei porque já tenho, mas no regresso a casa lembrei-me do Tom Waits ter afirmado (vou citar de memória, porque não tenho à mão o livro onde li essa história) que  lhe agradava a ideia de um disco seu acabar abandonado numa linha férrea (ou algo do género, não tenho a certeza) e a derreter ao sol. Descontando o exagero da comparação, não sei se gostei de ver o «Drum» acabar os seus dias daquela maneira - no fundo, para estar àquele preço é porque já ninguém o quer comprar.

Mas para os distraídos ou para quem não tinha idade na altura para se aperceber da excelência do álbum, o melhor é aproveitar a fartura enquanto dura.

 

publicado por adignidadedadiferenca às 01:02 link do post
Este álbum é muito bom. Não tenho em cd. Eu vou à fnac uma vez ou duas por ano, quando o meu irmão vai ao porto...
Manuel a 3 de Agosto de 2008 às 11:08
Vives quase no exílio... (eh, eh)
Comprei "Mettle". Um pouco mais caro. A FNAC do Norteshopping está a abusar! 4 euros e noventa e cinco.
Gostei.
Obrigada .
Como escreve muito bem ( às vezes "passa-se") porque não faz um resumo do filme " Nostalgia"de Tarkovski?
ionesco a 9 de Agosto de 2008 às 17:23
O que quer dizer com «às vezes passa-se»? Tenho de rever o Nostalgia, porque já não o vejo há imenso tempo. Mas é uma boa sugestão. Gosto muito do Tarkovski. E o «Mettle» é, para mim, o melhor disco dos Hugo Largo. Obrigado
Peço desculpa.
ionesco a 9 de Agosto de 2008 às 20:29
Não vejo motivo para isso. E mesmo que houvesse, a uma apaixonada do Tarkovski perdoa-se tudo...

Eu também os vi na Fnac do Chiado e comprei-os logo, acho que já estavam descatalogados a algum tempo, são duas pérolas, música muito boa mesmo.

http://murmuriosdistantes.blogspot.com/
blue bird a 10 de Agosto de 2008 às 22:04
É verdade. Depois de ter visto o «Drum» a preço de saldo, vi os dois cds a EUR 1,75 cada na Fnac de Cascais. Obrigado pela visita ao blog e pelo endereço do seu.
"lembrei-me do Tom Waits ter afirmado (vou citar de memória, porque não tenho à mão o livro onde li essa história) que lhe agradava a ideia de um disco seu acabar abandonado numa linha férrea (ou algo do género, não tenho a certeza) e a derreter ao sol"

É também uma das minhas favoritas. Uma das razões porque nunca mais a esqueci.

A passagem está no livro "Tom Waits - Nocturnos", e a "tradução, introdução e organização do texto"é da total responsabilidade do João Lisboa:

"O Harry Dean Stanton disse-me uma vez que encontrou uma cópia do meu primeiro álbum perdida junto a uma linha de caminho de ferro. Estava no fim do mundo a rodar um filme e encontrou o disco a derreter-se sobre os carris. É o tipo de coisa que me agrada. Antes acabar aí do que na prateleira de monos de uma discoteca."

Sempre quis acreditar que o filme que o Harry Dean Stanton estava a rodar era o "Paris, Texas"
Paulo Duarte Barbosa a 19 de Agosto de 2008 às 03:28
Obrigado. Eu sabia qual era o livro, só que desarrumado no meio de uma apreciável colecção de livros, era quase impossível encontrá-lo a tempo de publicar o post. Encontrei-o mais tarde, claro.
«Sempre quis acreditar que o filme que o Harry Dean Stanton estava a rodar era o "Paris, Texas"»
Vai uma aposta em como era mesmo? Um abraço.
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