a dignidade da diferença
30 de Junho de 2017

 

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«If the pulse of now felt weaker with each passing year, that’s because in the 2000s the pop present became ever more crowded out by the past , whether in the form of archived memories of yesteryear or retro-rock leeching off ancient styles. Instead of being about itself, the 2000s has been about every other previous decade happening again all at once: a simultaneity of pop time that abolishes history while nibbling away at the present’s own sense of itself as an era with a distinct identity and feel. Instead of being the threshold to the future, the first ten years of the twenty-first century turned out to be the “Re” Decade. The 2000s were dominated by the “re-“ prefix: revivals, reissues, remakes, re-enactments».

Simon Reynolds, in Retromania, Pop Culture's Addiction to Its Own Past

publicado por adignidadedadiferenca às 00:25 link do post
18 de Junho de 2017

 

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Do ciclo dedicado a Kenji Mizoguchi que, desde Abril, tem decorrido no Espaço Nimas, O Conto dos Crisântemos Tardios, de 1939, é a excepção ao conjunto de filmes situados na derradeira fase da sua obra e, excluindo A Senhora Oyu, após a sua consagração no ocidente, quando se impôs definitivamente com A Vida de O´Haru. História do amor trágico de uma mulher por um actor de teatro por quem tudo sacrifica, o qual, para vencer o lado opressivo do pai, tem de abandonar a sua classe social e encontrar outra mãe, a jovem criada que o ama e acompanha, O Conto dos Crisântemos Tardios celebra como nenhum outro o plano-sequência. Se uma das características essenciais da arte de Mizoguchi, a utilização da elipse figurativa, já fora superiormente ilustrada no magnífico embora pouco valorizado Oyuki, A Virgem, de 1935, é nos Crisântemos que o plano-sequência emerge e assume uma importância capital na arte do cineasta japonês. Esta técnica, que Mizoguchi - acreditando no seu próprio testemunho - terá iniciado em 1936, consiste na manutenção do mesmo enquadramento durante toda uma sequência, permanecendo a câmara a uma certa distância, evitando que o autor se envolva excessivamente nos dramas dos protagonistas. Para cada cena, um plano (one scene one cut). Entenda-se, Mizoguchi não utilizou este recurso estilístico como mero exercício ou figura de estilo, antes chegando a ele por necessidade de exprimir com mais precisão os momentos de maior intensidade ou tensão psicológica, desvalorizando o método clássico da utilização de grandes planos gratuitos ou de efeito unicamente estético. Com efeito, essa opção pelo plano-sequência resulta da necessidade de superar os dois principais problemas criados por Shotaro Hanayagi, o actor escolhido para o papel do protagonista. Por um lado, tornar credível a representação do papel de um jovem por um actor próximo dos 50 anos e, por outro, superar as evidentes dificuldades advindas da sua inexperiência de cinema, perdendo-se em takes curtos, interrompendo o texto com frequência. Num filme sobre o teatro, essa opção pelo plano-sequência não resulta de uma preocupação com o realismo, mas antes com um acentuado efeito de representação próprio da teatralidade que se pretende exibir. E se o plano-sequência sobressai como marca indelével do autor, existem neste filme, no entanto, outros predicados igualmente admiráveis, entre os quais se destacam a construção e divisão dos espaços como meio de manifestar visualmente a separação social das personagens e uma relação socialmente condenada, bem como o contraponto entre a agonia da personagem feminina e o desfile triunfal do actor. Da conjugação destas características, da configuração do espaço e da distância certa (ou emocionalmente justa) da câmara, pode concluir-se que opera no filme uma discreta sensualidade, onde cada personagem tem o seu lugar bem definido no espaço, clarificando exemplarmente a sua relação psicológica e social com as restantes.

publicado por adignidadedadiferenca às 13:05 link do post
07 de Junho de 2017

 

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«Ao longo destes anos ouviram-me falar muitas vezes de terrorismo e das formas de o combater. Nem todos os terrorismos são iguais nem devem ser enfrentados da mesma maneira, mesmo se os seus efeitos são semelhantes. O que acontece é que, na sua génese, os movimentos ideológicos que dão lugar às distintas classes de terrorismo são diferentes (…). Pode-se afirmar que no mundo coexistem três tipos de organizações terroristas. As ocidentais que por sua vez se desdobram em três grupos: as de reivindicação nacionalista (…), as internacionalistas ideológicas (...) e as de extrema-direita (...). Um outro bloco é compostos pelas organizações terroristas árabes que podem ser de tendência nacionalista, internacionalista ou islamista. E por último, as organizações internacionais islamistas actuais (…). Entre estes três grandes blocos não existiram relações orgânicas ou de cooperação estável. Quer dizer, não existiu uma Internacional do terror, ainda que, pontual ou conjunturalmente, tenham podido existir apoios, ajudas, fornecimento de infra-estruturas, armas e campos de treino. Este tipo de relações também existiu entre as diferentes organizações mafiosas, que além de prestarem ajuda financeira umas às outras, dividiram territórios e âmbitos de actuação ao longo da sua existência. Todavia, ainda que tenham histórias separadas, trajectórias distintas e objectivos diferentes, há uma coisa que as une: a sua ilegalidade, o uso do terror e a clandestinidade (…). A lição mais clara é que contra o terrorismo não há atalhos. Não pode haver porque ainda que a curto prazo se consigam resultados, a longo prazo prejudicam o sistema democrático (…). A maioria das organizações terroristas apresenta uma deformação da realidade que converte aquelas em grupos sectários com uma clara incapacidade para se acomodarem ao debate político. As suas posições radicais impedem-nos, salvo contados casos, de reagir perante as mudanças políticas e sociais que lhes oferecem a possibilidade de abandonar as suas propostas violentas e de se incorporarem no sistema democrático. Além do mais, antes ou depois, atacam os interesses dos povos que dizem defender e recorrem a qualquer argumento para responder contra o Estado de direito com o único fim de se manterem na sua espiral de violência.»

Baltasar Garzón, Un Mundo Sin Miedo 

publicado por adignidadedadiferenca às 12:02 link do post
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Não deixa de ser um belo aforismo...
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