a dignidade da diferença
31 de Dezembro de 2012

  

O filme de Dreyer, de 1927, mostra, como poucos o fizeram, que o grande plano é o modo de expressão natural do cinema mudo. Prodigioso e obsessivo filme de olhares, A Paixão de Joana D'Arc - cuja cópia (que a Fnac distribuiu exclusivamente no mercado nacional) inclui, ainda por cima, uma magnífica e silenciosa música litúrgica - permanece ainda hoje com um brilho e uma intensidade tão notáveis e acutilantes que dificilmente será visto algum dia como simples peça de museu. Esmagado e perturbado pelo tropeção emotivo na juventude e na verdade absoluta desta personagem única, apetece-me, ainda assim, aqui voltar uma e outra vez para testemunhar a sublime capacidade estética de um autor (com a notória cumplicidade da impressionante expressividade do rosto de Falconetti) que convence, sequência após sequência, dessa verdade todos aqueles que acompanham a dor de quem sofre a tal ponto que só pode sentir a morte como uma libertação.

 

 

 

 

publicado por adignidadedadiferenca às 17:39 link do post
31 de Dezembro de 2012

 

Mantém-se o princípio que orientou a apresentação da lista dos meus livros preferidos, lidos durante o ano de 2012. E, dada a escassez de obras realmente interessantes, volto a conjugar filmes estreados nas salas de cinema com filmes editados no mercado de DVD, seguindo uma ordem alfabética. Não quero deixar de destacar, porém, o grande salto em frente que Miguel Gomes deu com o belíssimo Tabu, a notável edição a cargo da Midas Filmes da obra mais emblemática do húngaro Béla Tarr, ou a recordação do documentário de Marcel Ophuls Tristeza e Compaixão, admirável retrato de uma cidade francesa sob ocupação durante a Segunda Guerra Mundial. Por último, vale a pena recordar os prodigiosos filmes de Hitchcock e de Dreyer, cujos brilho, complexidade e intensidade demonstram ainda hoje que dificilmente serão meras peças de museu.

 

Moonrise Kingdom, Wes Anderson

 

Apollonide - Memórias de um Bordel, Bertrand Bonello

 

Cosmopolis, David Cronenberg

 

A Paixão de Joana D'Arc, Carl Th. Dreyer (DVD)

 

Tabu, Miguel Gomes

 

A Gruta dos Sonhos Perdidos, Werner Herzog

 

Vertigo - A Mulher Que Viveu Duas Vezes, Alfred Hitchcock

 

O Gebo e a Sombra, Manoel de Oliveira

 

Tristeza e Compaixão, Marcel Ophuls (DVD)

 

5 Filmes de Glauber Rocha (DVD)

 

O Cavalo de Turim, Béla Tarr

 

Volume I, 4 Filmes de Béla Tarr (DVD)

 

29 de Dezembro de 2012

 

Tendo em conta a dimensão estratosférica de obras que foram publicadas durante o ano e a impossibilidade física de aceder a um número mínimo exigível que permitisse ficar com uma perceção razoável daquilo que foi acontecendo de relevante no domínio da criação literária, apresentar uma lista dos melhores livros do ano será uma tarefa perfeitamente estúpida, ingrata e inútil. Na melhor das hipóteses, sem cair no ridículo, apenas poderei destacar daquilo que li os poucos livros que me agradaram (doze no total, uma média de um livro por cada mês do ano, incluindo novas edições, reedições ou primeiras edições de livros antigos). É o que farei.

 

A Economia dos Pobres, Abhijit V. Banerjee/Esther Duflo

 

O Legado de Humboldt, Saul Bellow

 

Obra Poética Vol.1, Jorge Luis Borges

 

Os Irmãos Karamázov, Fiódor Dostoievski

 

Poeira da Alma, Nicholas Humphrey

 

Os Manuscritos de Aspern, Henry James

 

Sobre a Balsa da Medusa, Anselm Jappe

 

Pensar, Depressa e Devagar, Daniel Kahneman

 

Mel, Ian McEwan

 

A Noite dos Proletários, Jacques Rancière

 

Do Natural, W. G. Sebald

 

Steve Sem-Sandberg, O Imperador das Mentiras

 

26 de Dezembro de 2012

 

 

«Já referi a repulsa que Darwin sentia – e que era partilhada pelos seus contemporâneos – pelo exemplo da fêmea da vespa icneumonídea, que paralisa a presa com o seu ferrão sem a matar, mantendo assim a carne fresca para a larva que se desenvolve no interior da vítima. Recordar-se-á de que Darwin não conseguia aceitar que um criador benfazejo pudesse ter concebido esse comportamento. Mas com a seleção natural ao volante, tudo se torna claro, compreensível e com sentido. À seleção natural não importa o bem-estar. Porque deveria importar? Para algo acontecer na natureza, o único requisito é que o mesmo acontecimento, em tempos ancestrais, tenha contribuído para a sobrevivência dos genes que o promovem. A sobrevivência dos genes é uma explicação suficiente para a crueldade das vespas e para a indiferença empedernida da natureza: suficiente – e satisfatória para o intelecto se não para a compaixão humana.

 

 

Sim, há grandeza nesta visão da vida, e há até uma certa grandeza na indiferença serena da natureza ao sofrimento que decorre inexoravelmente do princípio orientador, a sobrevivência dos mais aptos. Os teólogos poderão estremecer com este eco de um estratagema habitual da teodiceia, onde o sofrimento é visto como uma inevitabilidade do livre-arbítrio. Os biólogos, por seu turno, perceberão que “inexoravelmente” não é de modo algum demasiado forte quando refletem – talvez segundo as linhas da minha reflexão sobre a “bandeira vermelha” do capítulo precedente – sobre a função biológica da capacidade de sofrer. Se os animais não sofrem, é porque alguém não está a trabalhar o suficiente na questão da sobrevivência dos genes. Os cientistas são humanos, e têm todo o direito de rejeitar a crueldade e de condenar o sofrimento. Mas os bons cientistas como Darwin reconhecem que as verdades do mundo real, por muito desagradáveis que sejam, têm de ser enfrentadas.»

O Espetáculo da Vida, de Richard Dawkins, tradução: Isabel Mafra

16 de Dezembro de 2012

  

The Misfits (1961), de John Huston, anuncia, na sua belíssima e poética representação de um núcleo de personagens desesperadas e inadaptadas, o fim da carreira de dois ícones do cinema clássico americano, Clark Gable e Marilyn Monroe, que viriam a morrer pouco depois, e a decadência física e profissional de outro notável ator, Montgomery Clift. Rodado em absoluto regime de liberdade, The Misfits, baseado numa história do dramaturgo Arthur Miller (que era, naquela altura, o marido de Marylin), conseguiu superar a passagem do tempo sem uma ruga e consegue, ainda hoje, emocionar-nos pelo seu ambiente crepuscular, pela imensidão das paisagens desertas e selvagens, pelos magníficos grandes planos que reproduzem o brilho do rosto belo e frágil de Marylin, ou ainda pela intensidade com que os personagens centrais da narrativa vivem os momentos de simultânea angústia e ternura, procurando desajeitadamente adaptar-se a um mundo em mudança que viram fugir debaixo dos seus pés. John Huston deixou-nos alguns filmes marcantes, mas nenhum deixou uma marca tão vincada como aquela que perdura de uma unidade artística quase telepática e de uma alquimia tão pessoal e especial.

 

 

08 de Dezembro de 2012

 

 

«Glauber Rocha, o jovem diretor baiano, tinha se tornado, a essa altura, um verdadeiro líder cultural. Depois de rodar Barravento quando ainda morava na Bahia, ele impressionou diretores e críticos europeus com Deus e o Diabo na Terra do Sol, filme cheio de uma selvagem beleza que nos excitou a todos com a possibilidade de um grande cinema nacional. (…) Era uma tentativa de superar o estágio primitivo do cinema comercial brasileiro, representado pelas comédias carnavalescas cariocas conhecidas como “chanchadas”, uma fórmula inaugurada com sucesso nos anos 30. (…) Glauber liderou prática e teoricamente o movimento do Cinema Novo. Seu livro Revisão crítica do cinema brasileiro argumenta em favor da criação de um cinema superior nascido da miséria brasileira como o neorrealismo nascera da indigência das cidades italianas no imediato pós-guerra.

 

 

O filme-emblema é Deus e o Diabo na Terra do Sol. Bons filmes do Cinema Novo, como Os Fuzis, de Ruy Guerra, ou mesmo Vidas Secas, de Nelson Pereira dos Santos, (…) tinham, entre outras, a virtude de nos aproximar de um nível de feitura almejável, embora por caminhos bem diversos daqueles percorridos pela Vera Cruz, Anselmo Duarte ou (o solitário autor de filmes bergmanianos) Walter Hugo Khoury. Deus e o Diabo na Terra do Sol era bom (e mesmo melhor) por outras razões: ousava livremente acima e além da submissão aos esquemas industriais e da reverência ao já estabelecido artisticamente. Abordando a temática do fanatismo religioso no Nordeste brasileiro – com evidentes ecos de Os sertões, o grande livro de Euclides da Cunha -, e retomando o imaginário do banditismo rural daquela região – a marca forte de O cangaceiro -, Glauber (…) apresentava um painel exuberante e algo disforme (na Europa como no Brasil, chamou-se, creio que com acerto, “barroco”) das forças épicas embutidas em nossa cultura popular. Na verdade, o resultado final desse filme o aproxima mais do genial Pasolini de O Evangelho Segundo S. Mateus do que de qualquer outro diretor: a fotografia sem contraluz, o delírio construído com matéria crua, a imposição de um mundo mental às imagens – tudo isso é compartilhado por esses dois filmes realizados no mesmo ano.

 

 

 

Lembro que fui andando do solar até o cinema onde se exibia Terra em transe. O filme como um todo, no entanto, me pareceu desigual. E me agastava que ele não o fosse menos – era-o mesmo bem mais – do que Deus e o Diabo na Terra do Sol. As lamentações do seu principal personagem – um poeta de esquerda em conflito íntimo por ambicionar, muito além da justiça social, “o absoluto” – por vezes me soavam francamente subliterárias. (…) Mas, como já tinha sido o caso com os dois filmes anteriores de Glauber (e, ainda que em menor intensidade, com grande número de produções do Cinema Novo), incessantemente explodiam na tela as sugestões de uma outra visão da vida, do Brasil e do cinema que pareciam obsoletar esse tipo de exigência. E no caso de Terra em transe, o próprio poeta protagonista trazia, envolta em sua retórica, uma visão amarga e realista da política, que contrastava flagrantemente com a ingenuidade de seus companheiros de resistência à ditadura militar recém-instaurada (o filme é o momento do golpe de Estado reconstituído como um pesadelo pela mente do poeta ao morrer).»

Verdade Tropical, de Caetano Veloso

  

 

05 de Dezembro de 2012

 

 

A designação BRICS surge em 2001, cuja autoria coube ao economista inglês Jim O’Neill, para indicar quatro países com economias emergentes: a China, o Brasil, a Índia e a Rússia. Mais tarde, é incluída também a África do Sul. No respetivo relatório, o analista previu que nos próximos cinquenta anos aqueles países ocuparão o lugar cimeiro no ranking das maiores economias mundiais. Contudo, não estamos perante um bloco económico como, por exemplo, a NAFTA ou o Mercosul, ou político-económico como a União Europeia. Trata-se de um conceito associado aos grandes mercados emergentes que não define o modelo económico ou a situação política e social dos países que o integram. O BRICS não corresponde à imagem de um bloco coeso na medida em que não existe no seu seio um conjunto homogéneo de políticas comerciais, financeiras ou de investimento. Cada um dos países que o compõem não procura criar políticas comuns com os seus parceiros emergentes, na medida em que as políticas nacionais por si adotadas não são propriamente desejadas pelos restantes Estados. O conceito que está por trás da designação BRICS relaciona-se com os grandes mercados emergentes e nada nos diz sobre o modelo económico adotado pelos países que fazem parte do grupo, nem sequer sobre a situação política e social de cada um deles. Passemos a analisá-los melhor um a um.

 

 

Típica criação colonial, com uma lenta constituição de uma economia bem-sucedida, o Brasil teve um Estado unificado antes de ter uma economia integrada. Cativo de regimes semi-capitalistas anos a fio, o país transformou-se quando libertou as suas energias criadoras fruto da abertura económica e da liberalização comercial. Goza atualmente uma paz regional e tem um bom posicionamento geopolítico capaz de lhe trazer vantagens a nível regional como internacional. O seu mercado oferece, segundo os especialistas, boas oportunidades de investimento. A sua economia, porém, também sofre de alguma vulnerabilidade pois o tão elogiado crescimento económico parece abrandar e a inflação permanece ainda elevada. É indiscutível que o Brasil tem pela frente a oportunidade de aproveitar a vantagem demográfica no que diz respeito à relação entre a população ativa e a componente económica. Mas teme-se justificadamente que esta seja uma oportunidade perdida devido sobretudo à baixa qualificação técnica e educacional da sua população, o que condiciona certamente os ganhos de produtividade. A Rússia, amputada de territórios, de recursos naturais e humanos significativos, não parece capaz de recuperar a posição estratégica e política que já deteve e cuja expansão geopolítica atingiu o seu cume no final dos anos 70. Afundada no caos destruidor da sua economia socialista e dominada pela força carismática dos seus líderes de então, eficientes na organização partidária mas incapazes de perceber o modo de funcionamento de uma moderna economia de mercado, a Rússia teve uma transição para o capitalismo bastante errática. Embora possuindo grande arsenal nuclear e tendo uma capacidade militar não negligenciável, não está em condições de desafiar os gigantes da economia mundial, pois depende demasiado de recursos finitos e a sua demografia está em declínio. Conseguindo romper com a economia planificada e com o protecionismo estatal exagerado, a Índia domina com muita competência os serviços eletrónicos que oferece de forma assaz competitiva, mas continua com graves problemas para resolver. Como conseguirá, no futuro, absorver, na economia de mercado, milhões de camponeses que ainda permanecem numa economia de base ancestral? Conhecida pela diversidade de culturas, idiomas e crenças religiosas, e libertando-se finalmente de décadas vividas num sistema de apartheid, i.e., de deplorável segregação social, a África do Sul ainda não é reconhecida por muitos investidores como fazendo parte dos países integrados no BRICS. Mas apresenta um enorme potencial, na medida em que a sua economia está em pleno desenvolvimento, contrastando com o abrandamento das maiores economias do mundo. Em bom rigor, a China parece ser, dos países que compõem o BRICS, o único com capacidade real para ocupar uma posição dominante no plano económico e político à escala mundial. Demonstrou uma enorme ambição em recuperar rapidamente as décadas perdidas de socialismo doentio, adaptando-se com celeridade assinalável aos fundamentos das modernas economias de mercado, fruto da aprendizagem obtida junto dos líderes científicos e tecnológicos do capitalismo mais avançado, copiando e moldando o know-how ocidental através do fabrico dos mesmos produtos que se distinguem apenas pelos desenhos e marcas próprias. Lamenta-se, contudo, que ainda os seus cidadãos ainda estejam muito longe de igualar os níveis de bem-estar individual das populações ocidentais das países capitalistas mais desenvolvidos, dada a circunstância daqueles estarem sob o jugo e a alçada de um regime autoritário que só liberalizou a economia e esqueceu-se do resto.

 

 

Quanto à posição económica e à estratégia geopolítica, estima-se que a economia do grupo representará num futuro relativamente próximo 1/5 da economia mundial. Os países que compõem o BRICS não estão dispostos a representar o papel de meros espectadores nas grandes decisões mundiais. A sua intenção é ter uma intervenção mais direta na constituição de uma nova arquitetura e de regras internacionais em matéria financeira que proporcionem a formação de uma nova ordem mundial mais democrática. Contam não só com a dimensão do território e da população, mas também com o crescimento das suas economias e com a capacidade militar e energética que os colocam numa posição privilegiada entre os interlocutores mais importantes a nível internacional, dando-lhes ainda capacidade para moldar o futuro de outros países em desenvolvimento. Porém, as relações políticas e económicas internacionais assentam sobretudo na troca e produção de ideias e conceitos sobre a forma de organização político-económica do mundo contemporâneo. E, nesse sentido, não obstante o crescimento económico dos países que compõem o BRICS, mantém-se o domínio intelectual do mundo ocidental desenvolvido. O BRICS não se distingue por seguir um rumo económico autónomo e nem sequer funciona como um bloco coeso, na medida em que não possuem um conjunto homogéneo de políticas no plano económico, financeiro e de investimento. Sendo verdade que o BRICS representa um fator positivo no domínio da economia mundial, ainda é muito cedo para defender que, àquela escala, o sejam igualmente no plano da geopolítica, sobretudo por que ainda está por demonstrar que tenham tomado ações decisivas para tornar as suas governações mais democráticas e respeitadoras da dignidade humana e dos princípios e valores fundadores de um mundo evoluído e civilizado. Se deste estudo resulta que será provavelmente a China o único dos países que compõem o BRICS a reunir as condições necessárias para, futuramente, ocupar uma posição de liderança geoestratégica nos planos político e económico, ainda assim, não deixa de ser perturbador verificar que o oriente (do qual também faz parte outro dos países emergentes, i.e., a Índia) não hesita em trocar a identidade pela liderança, abdicando da sua tradicional visão espiritual da vida e da sua perceção transcendente da história em prol de uma visão que olha para o mundo contemporâneo não como uma humanidade comum, mas apenas como um único mercado.

02 de Dezembro de 2012

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

publicado por adignidadedadiferenca às 12:59 link do post
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