a dignidade da diferença
12 de Julho de 2012

 

Reedição (para já, parcial) da obra de José Afonso. Sinais inequívocos de inconformismo e evolução estética, compromisso político (pontualmente excessivo e algo datado), escrita poética, surrealismo e uma ironia do mais fino recorte técnico. Trata-se, no fundo, de uma renovada e plena demonstração da sua capacidade vocal e intuição melódica, de uma visão artística sem fronteiras e, sobretudo após o extraordinário golpe de asa iniciado com o genial Cantigas do Maio (enriquecido pela cumplicidade e pelos soberbos arranjos musicais de José Mário Branco) - cujo contributo para a história da música portuguesa apenas será igualado, naquela época, pela personalidade e matriz individual das obras iniciais de Carlos Paredes, José Mário Branco e Sérgio Godinho ou pela sublime Amália do período Alain Oulman -, um magistral e absolutamente perfeito domínio das características fundamentais e da estrutura formal de uma canção. Venha agora o resto da obra, correspondente à fase mais afirmativa e genial da sua carreira, da qual merece particular destaque a perfeição de Venham Mais Cinco e o menos valorizado mas não menos inventivo Como Se Fora Seu Filho.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

08 de Julho de 2012

 

 

Riquíssimo estojo de canções gravadas durante o ano de 1968, Bookends, provavelmente a obra mais conseguida da dupla formada por Paul Simon e Art Garfunkel, reúne no seu seio o talento gráfico da escrita de Paul Simon na qual sobressai a qualidade e o pendor literário dos seus textos, ancorados em contagiantes melodias de bolso que não escondem, contudo, os suaves contrastes da sua estrutura, cuja tonalidade agridoce reflete admiravelmente as pequenas dores da alma que constituem a essência da personalidade do seu autor, um dos mais notáveis songwriters norte-americanos. A Hazy Shade of Winter é um dos exemplos supremos desta arte singular. 

 

 

publicado por adignidadedadiferenca às 23:41 link do post
01 de Julho de 2012

 

 

Conhecido pelo seu temperamento violento e por ter assassinado a sua prima Maria d’Avalos, com quem casara em 1586, e o amante desta, o duque de Ândria, ao descobri-los em flagrante delito, Carlo Gesualdo, príncipe de Venosa, merece figurar na história sobretudo pelas suas qualidades musicais, onde sobressaem o experimentalismo polifónico, o cromatismo (que, com ele, atingiu o seu zénite) e uma complexidade harmónica que fascinou em pleno século XX, por exemplo, o genial compositor Igor Stravinsky. Possuidor de uma técnica pouco ortodoxa e de uma leitura individualista e avançada para a música da época, Gesualdo, por força das suas excentricidade e instabilidade emocional, trouxe consigo a modernidade para o coração da música italiana, modernidade essa que surge representada por uma ardente expressividade ou pelas suas assombrosas explorações cromáticas, cuja ousadia, ampliada pelos ilimitados e originais recursos estilísticos do seu autor, criou uma música inconformada e fora do comum, antecipando algo da estética musical que o excessivo Richard Wagner mais tarde nos deu a conhecer. O Hilliard Ensemble, na sua rigorosa, límpida e expressiva leitura interpretativa do Quinto Libro di Madrigali, faz inteira justiça à prodigiosa personalidade musical do seu criador. Sublime.

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