a dignidade da diferença
30 de Setembro de 2008

 

Um dos álbuns mais injustamente esquecidos dos anos 80...

 

 

 

 

 

 

Showdown at big sky

 

Broken arrow

   

Robbie Robertson, líder carismático da lendária The Band – que, inicialmente, como banda suporte de Bob Dylan e, de seguida, caminhando pelos seus próprios pés, traçou, com The Basement Tapes (a meias com Dylan) e Music from big pink, uma das histórias mais perfeitas da América mítica e profunda, oferecendo um dos mais belos e raros exemplos de música «fora de época» - assinou, em 1987, uma magnífica e injustamente esquecida estreia a solo, onde criou o género de música ideal para servir como banda sonora para a obra cinematográfica de Martin Scorsese.

Deixo-vos com uma pequena amostra.

publicado por adignidadedadiferenca às 01:23 link do post
27 de Setembro de 2008

 

The Hustler

 

 

Apetecia-me mesmo era ficar em silêncio, mas vou recordar o Paul Newman actor que mais gosto - a obra-prima de Robert Rossen «The Hustler» - e o Paul Newman realizador mais memorável.

O que criou a belíssima adaptação de Tenessee Williams «The Glass Menagerie».

 

The Hustler

 

publicado por adignidadedadiferenca às 23:40 link do post
26 de Setembro de 2008

 

 

Para a sem-se-ver, porque merece.

 

 

 

 

publicado por adignidadedadiferenca às 00:20 link do post
25 de Setembro de 2008

 

Sarah Palin em oração contra Satanás e todo o género de feitiçaria.

 

Quando procuram convencer-me das coisas belas e memoráveis que preenchem o universo, cada vez me convenço mais que caminho na direcção contrária, porque só deparo com acontecimentos como este. Verdadeiramente abjectos.

O ser humano, visto assim, é uma coisa lamentável.

 

publicado por adignidadedadiferenca às 23:14 link do post
24 de Setembro de 2008

 

Também não sei donde isto veio, mas agradeço ao autor.

publicado por adignidadedadiferenca às 23:44 link do post
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23 de Setembro de 2008

 

O paradigma da ousadia estética ou, dito de outra forma, a banda mais radical do momento...

 

Com a devida vénia ao seu autor, que desconheço (é tão mau que até tem piada).

publicado por adignidadedadiferenca às 00:18 link do post
21 de Setembro de 2008

 

 

A fé imensa num país após a guerra do Biafra, a crença na música como força colectiva e um livro aberto pela vontade de partir à descoberta do jazz, do blues, do funk e da pop que, nas mãos certas, acrescentou uma mão cheia de clássicos à cultura musical africana e renovou a sua tradição.

Um cálice inesgotável de prazer estético pronto a ser bebido como fonte de inspiração pelos músicos de hoje.

Uma lição de modernismo.

 

publicado por adignidadedadiferenca às 23:53 link do post
20 de Setembro de 2008

 

O melhor álbum com a participação de Anne Sofie Von Otter, destinado, quase seguramente, a provocar as paixões mais extremas.

Com uma quase insuperável espessura dramática, para a qual muito contribuiu a avassaladora direcção orquestral de John Eliot Gardiner - na versão para soprano de Die Sieben Todsunden - e do piano de Bengt Forsberg, esta obra é muito mais do que uma manifestação de fé e prazer no acto da criação musical.

Sempre que voltamos a Je ne t'aime pas, Speak low, Foolish heart, Nannas lied ou Bilbao-song, com as canções regressa a angústia, o deslumbramento, a crença, a dor e  o fascínio que sentimos da primeira vez.

Vai faltar na divulgação a que tenho dado o nome de «Discos que nunca mais se esquecem», mas é uma das mais expressivas manifestações artísticas do século XX e um dos seus monumentos.

Um dos álbuns da minha vida que só não levo para uma ilha deserta, porque não gosto de me sentir abandonado e à mercê da sorte...

 

publicado por adignidadedadiferenca às 23:54 link do post
20 de Setembro de 2008

 

Agora que, por causa do dispensável musical Mamma Mia!, tanto se voltou a falar dos ABBA, apeteceu-me voltar a ouvi-los. Como me acontece, aliás, ocasionalmente. O que vou propor é uma maneira diferente de escutar o grupo sueco. Os ABBA pela voz da soprano Anne Sofie Von Otter. A opinião pode não ser unânime (e, no fundo, que importa?) mas o momento é sublime. E se ajudar a ultrapassar uns quantos preconceitos em relação à banda, tanto melhor.

 

Anne Sofie Von Otter - Like an angel passing through my room

 

 

publicado por adignidadedadiferenca às 02:09 link do post
16 de Setembro de 2008

FUJIYA & MIYAGI (Lightbulbs)

TWO BANKS OF FOUR (Junkyard gods)

ROBERT FORSTER (The Evangelist)

 

 

São apenas três discos relativamente recentes (todos de 2008) que tenho estado a ouvir com alguma insistência. Nem sequer tenho muito para dizer sobre eles, excepto que vou gostando muito do que estou a ouvir.

 

 

Os ingleses Fujiya and  Miyagi fazem ao krautrock aquilo que só uma banda inglesa com sentido estético poderia fazer. Ao segundo volume, atiram-nos literalmente com uma versão revista e melhorada do género alemão, a que acrescentam uma concisão pop que não existe no original, doses perfeitas de ousadia e persistência rítmica, um canto falado aliado a um brilho melódico que se torna uma fonte de prazer constante. Só ouvidos distraídos poderão afirmar que é mais do mesmo.

 

 

 

De mais do mesmo também poderá ser acusada a música dos Two Banks of Four – que regressaram com o fabuloso Junkiard Gods – mas pouco me importa. Aqui já se trata de um universo único e genialmente personalizado. Ao terceiro disco, terceira obra-prima.

O paradigma perfeito de música experimental, espiritual, voando por entre as memórias de Coltrane, do jazz clássico, da soul, da improvisação como se de música do futuro se tratasse, com silhuetas transparentes de silêncio, fraseados cinematográficos, com a canção a adquirir, de novo, toda a sua deslumbrante dignidade. Para ouvidos exigentes.

 

Como não encontro nada mais recente, deixo-vos One day de Three street worlds.

 

 

The Evangelist de Robert Forster são os Go-Betweens sem Grant McLennan, porque, a todo o momento, sente-se que ele está lá. Voltamos à velha questão do mais do mesmo, mas, neste caso, com subtis variações. E são variações do melhor que a música já nos ofereceu. Memórias dos Velvet Underground, dos XTC e, talvez, até, dos Triffids. E réplicas perfeitas dos Go-Betweens (aqui, se calhar, é pecado). Melodias memoráveis que apetece guardar só para nós e transmiti-las em segredo a quem as merece.

Como despedida, era difícil exigir melhor.

 

publicado por adignidadedadiferenca às 00:24 link do post
11 de Setembro de 2008

 

Full House, A difusão da excelência de Platão a Darwin - Stephen Jay Gould (1996)

 

 

 

Eis uma visão polémica, mas fascinante, acerca da teoria da evolução. Stephen Jay Gould põe em causa, nesta obra e de um modo perturbante, as ideias a favor da evolução gradual das espécies – a natureza do progresso – que culmina no expoente máximo da complexidade; o aparecimento do Homem.

Gould sugere um caminho diferente, contestando aquilo que, muitas vezes, já adquirimos como verdade incontestável. Questionando com pertinência as teorias criacionistas e muitas das evolucionistas, o célebre paleontólogo insiste em afirmar que o aparecimento do Homem é meramente fortuito e nunca o resultado obtido com a evolução da vida no planeta que conduziu  ao que, erradamente, julgamos ser o grau máximo da complexidade da espécie.

Para defender a sua doutrina, Stephen Jay Gould socorre-se, como habitualmente, de uma linguagem clara e própria de um grande comunicador como ele sempre foi, tecnicamente rigorosa, cheia de exemplos notáveis e esclarecedores e de enigmas que vai decifrando ao juntar as várias peças do puzzle que estendeu durante a narrativa, transmitindo brilhantemente aos seus leitores aquilo a que se propôs: A verdadeira excelência na terra não se manifesta na complexidade, mas através da diversidade e da espontaneidade.

Um desafio ousado e de leitura obrigatória.

 

 

 

Deixo-vos com as suas próprias palavras:

 

«Full House é um guia do mesmo género de um dos meus livros anteriores, A vida é bela (1989). Em conjunto, estas duas obras apresentam uma perspectiva integrada e nada convencional sobre a história e o significado da vida – uma perspectiva que nos obriga a rever a noção que temos do estatuto humano nesta mesma história. Em A Vida é Bela afirmam-se a imprevisibilidade e a contingência de qualquer acontecimento particular da evolução e dá-se ênfase ao facto de devermos encarar a origem do Homo sapiens como um acontecimento fortuito, não passível de repetição, e não como uma consequência previsível. Em Full House apresenta-se o argumento geral que permite negar que o progresso defina a história da vida ou até que exista de forma alguma sob a forma de uma tendência. Nesta perspectiva da vida como um todo, os seres humanos não podem ocupar qualquer posição privilegiada no topo ou constituir o culminar de alguma coisa. A vida foi desde sempre dominada pelo modo bacteriano.»

 

Excerto do livro traduzido por Miguel Abreu. Editora: Gradiva. Edição: Agosto de 2000

 

 

publicado por adignidadedadiferenca às 19:16 link do post
09 de Setembro de 2008

 

 

Só soube da notícia ontem à noite ao visitar este óptimo blog. Confesso que não sou muito dado a homenagens mesmo em cima do desaparecimento de alguém que (muito) admiro. Mas com Hector Zazou vou ser diferente.

Não vou falar da sua carreira e da sua importância como músico – outros o farão muito melhor do que eu. Apetece-me, sim, lembrar o magnífico espírito futurista de um esteta com uma visão muito particular do que deve ser uma verdadeira música sem fronteiras.

 

Crescentes e sedutoras aproximações tímbricas ao ambientalismo (não confundir com a new age, por favor), pequenas abstracções sonoras lançadas em voo picado sobre transparentes devaneios electrónicos e uma viagem inquieta e experimental em busca de um novo paradigma para uma música de contornos étnicos enriqueceram a sua obra, moldando-a numa caixa de música em miniatura, onde tanto se convoca o espírito em surdina de Miles Davis, como o conceito quarto-mundista de Jon Hassel, a qual, sob a direcção personalizada de Zazou, nos oferece uma mão-cheia de canções impressionistas e carregadas de partículas sonoras dos quatro cantos do mundo, onde frequentemente colaboram os universos pessoais de autores tão extraordinários como, entre outros, Bjork, John Cale, Manu Dibango, Varttina, Khaled, Barbara Gogan, Sakamoto, Sussan Deihim ou David Sylvian que acrescentam sempre algo de novo ao corpo musical de Zazou.

Não conheço a obra completa do compositor e produtor francês, mas na minha estante pessoal guardo sempre os óptimos Les nouvelles polyphonies corses e Songs from the cold seas. E, claro, num lugar mais protegido fica Sahara blue: a genial e absolutamente inesquecível evocação da vida e poesia de Arthur Rimbaud e um dos grandes álbuns do século XX. E não me esqueço que foi a sua imaginação que criou e produziu, a meias com Sainkho, uma das mais extraordinárias canções do álbum Out of tuva: a sublime Bai-laa Taigam.

Também não sou grande apreciador de despedidas, mas se as pessoas que lhe são mais chegadas vão certamente desejar paz à sua alma, eu só posso prometer que não vou deixar a sua música em sossego.

 

 

 

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