a dignidade da diferença
09 de Julho de 2008

 

Horsedrawn wishes, dos Rollerskatte Skinny (1997)

 

 

Canções incendiárias, cheias de fantasia e a lembrar uma estética de desenho animado, com a electricidade dos Velvet, Sonic youth e My Bloody Valentine e o lado sonhador dos Byrds, Brian Wilson e bandas sonoras de chocolate. Quem as criou passou como um cometa pelo ano de 1997, provavelmente já todos se esqueceram deles, mas a sua música permanece tal e qual como era: cheia de arestas limadas, afiadas e electrocutadas, derramando a lava incandescente de um vulcão e transgredindo regras, leis e conceitos adquiridos. Falo dos Rollerskate Skinny, a música que descrevo pertence ao espantoso «Horsedrawn Wishes», álbum vertiginoso, sobrenatural e irrepetível.

 

 

 

09 de Julho de 2008

 

A life full of farewells - The Apartments (1995)

 

 

Não me lembro que tenha constado de alguma lista dos melhores do ano, da década ou do século XX. E também me parece que nunca virá a constar de uma lista dessas. O género de música não ajuda muito, obviamente, e o sítio de onde ela vem, menos ainda. Quando queremos falar de música popular contemporânea de raiz australiana vem-nos à memória quem? Nick Cave à cabeça e, para os mais instruídos, os Go-Betweens e, talvez, os Triffids. Todos eles excelentes e quase escandalosamente ignorados. Mas a Austrália, musicalmente falando, não é só isso. Peter Walsh, que responde pelo colectivo The Apartments, publicou, em 1995, um daqueles discos que, para quem o ouviu, não sai facilmente da memória. Chama-se «A life full of farewells», é da família de gente tão ilustre como a atrás referida, mais os American Music Club, Leonard Cohen, John Cale, Richard Thompson e outros da mesma estirpe. Música docemente amargurada para ser escutada e divulgada clandestinamente, concebida de forma artesanal e (falsamente) rudimentar, mas que, ainda hoje, escutada uma e outra vez, continua a magoar onde menos se espera, tal e qual como na altura em que foi publicada.

Se quase todo o álbum é memorável, uma canção há que, muito provavelmente, vai abanar, por momentos, a nossa vida. Trata-se da notável «She sings to forget you». Voz e piano mais do que suficientes para nos dar a visão perfeita de uma alma serena mas dorida, bela mas vencida e profundamente solitária, que nos comove sem remédio enquanto a melodia dura.

Não será mais do que uma nota de rodapé na história da música popular – talvez nem isso -, mas entra directamente para a minha colecção privada de canções que nunca mais vou largar.

 

 

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