a dignidade da diferença
30 de Maio de 2008

 

Tindersticks: A marriage made in heaven, de «donkeys 92-97»

 

Não gostei de ouvir a Scarlett Johansson a esgravatar nas canções de Tom Waits, mas não tenho preconceitos de qualquer espécie em relação a actrizes que cantam. Eis um belo exemplo: Isabella Rossellini.

 

publicado por adignidadedadiferenca às 20:32 link do post
30 de Maio de 2008

 

 

publicado por adignidadedadiferenca às 20:28 link do post
29 de Maio de 2008

 

Em toda a história da humanidade, só três Homens conseguiram andar sobre as águas.

 

O primeiro foi Jesus Cristo

 

O segundo foi Pedro,

 

 

 

e o terceiro foi Ivangivaldo Democratas.

 

 

 

 

 

publicado por adignidadedadiferenca às 23:17 link do post
29 de Maio de 2008

I want to see the bright lights tonight - Richard and Linda Thompson (1974)

 

 

O mais perfeito e solitário dos discos que Richard Thompson gravou com a sua mulher Linda.

Melodias memoráveis e intemporais nas vozes sublimes de Linda (só comparável a Sandy Denny e June Tabor) e Richard Thompson desaguam fatalmente em canções fundas e sem remédio, atingindo em «Has he got a friend for me?»  e «The end of the rainbow» o limite suportável da tragédia humana.

Tanta dor e crueldade, aparentemente, parecem apenas destinadas a ouvidos tão habituados ao sofrimento que este já não lhes provoca qualquer tipo de reacção, não é assim? Errado, perfeitamente errado.

O milagre sonoro é de tal ordem que as canções, inequivocamente sombrias e devastadoras, surgem, num último fôlego, matizadas pela excelência da interpretação e pelo rigor musical que, servindo-se de uma paleta instrumental maioritariamente tradicional, encontra, de uma forma densa e penetrante, soluções ricas e inesperadas para todas as equações, recebendo, inesperadamente, uma vida nova e um colorido sonoro portentoso que as salva do abismo e nos convoca para mil e uma chamadas.

Obra-prima inclassificável.

 

 

.  

The end of the rainbow

 

the great valerio

 

withered and died

28 de Maio de 2008

Lamb (1996)

 

 

A propósito de Portishead, tomem lá os Lamb

 

Tanto se tem falado do regresso dos Portishead (aqui só para nós, ainda não me rendi ao álbum), que a vontade de convocar os Lamb foi mais que muita. Dose dupla de carneiro para acabar de vez com a dieta.

 E, por favor,  voltem a escutar o trip-hop (será que isso existe?)  em todo o seu máximo esplendor. Voz de quem está para morrer, fuga desenfreada ao ritmo binário (mais acentuada no segundo disco), pozinhos de jazz e lamentos de Gorecki num tête-à-tête com o som absoluto do silêncio que, antevendo o mais leve rumor de tudo terminar em apaziguamento, entra em rota de colisão frontal com o colorido mágico da maquinaria electrónica numa rotação constante em que entram todos os detalhes sonoros entretanto absorvidos.

 «Dummy» e «Maxinquaye» à parte, não tem concorrência dentro do género.

 

 

gorecki

 

zero

 

publicado por adignidadedadiferenca às 23:13 link do post
28 de Maio de 2008

Blackfriars

 

Era o herói da erva.

Tinha para vender

e o corpo.

Nem os olhos, nem a alma

sabia emprestar. Trazia

nos punhos íngremes

metais de marca, duas estrelas

para vigiar-lhe o destino.

Sem luz aos ombros partia,

campeão do sonho sem partilha.

 

Tremiam-lhe os dedos, um resto

de coração vibrava delirado

noutro corpo. Cortado pelo gume

das lágrimas o amor, longa

escadaria sem patamares

ou portas possíveis.

 

Fernando Luís, «Sólon» 1987

 

 

 

 

 

 

DOIS RIOS

 

O corpo dividido em duas partes

fechadas

à chave uma na outra, avanço

num duplo coração como se fosse

ao mesmo tempo num só barco por dois rios.

 

Luís Miguel Nava, «O céu sob as entranhas» 1989

 

 

28 de Maio de 2008

 

 

 

 

Melody - Serge Gainsbourg

 

 

Do álbum «Histoire de melody nelson» de 1971 que se tornou, a par de «Forever changes» dos Love, o paradigma da pop orquestral. Um de cada lado do Atlântico. Nesta fonte vieram beber os Tindersticks, Walkabouts, Anywhen, Attica Blues, Bjork, Echo and the Bunnymen da fase «ocean rain», o actual e excelente Vincent Delerm e tantos, tantos mais.

 

 

 

 

publicado por adignidadedadiferenca às 21:06 link do post
27 de Maio de 2008

«Infanta Maria Teresa» (1652) de Diego Velazquez e «Retrato de Fritza Riedler» (1906) de Gustav Klimt

 

 

Nesta peça admirável e perversamente erótica - uma espécie de obscuro objecto de desejo que o cineasta espanhol Luís Buñuel nos falou e filmou de forma exemplar -, existe apenas uma subtil relação com o quadro da Infanta Maria Teresa: o chapéu-leque à maneira de Velazquez.

 

publicado por adignidadedadiferenca às 23:32 link do post
27 de Maio de 2008

The devil is a man (em complemento do que vem aqui)

 

Pois bem, a promessa estava feita: chegou a vez de me dedicar a um dos maiores génios do blues que, segundo reza a lenda, vendeu a alma ao diabo em troca de umas mãos novas para tocar guitarra.

Não sou nada influenciável por estas coisas, mas, apreciando o resultado final que o pacto deixou, não custa muito acreditar.

Uma obra curta (29 blues), mas que entra directamente na mitologia da América e dos seus poetas. Para ouvir sempre: The complete recordings. Um nome suficiente para alimentar todo o blues e que influenciou músicos de jazz, bluesman e  muito do rock'n'roll dos anos 60 (essencialmente).

 

Aqui ficam dois dos exemplos supremos da arte de cantar o blues.

 

Me and the devil blues

 

Crossroads

publicado por adignidadedadiferenca às 00:09 link do post
25 de Maio de 2008

 

Blue train - John Coltrane

  

 

 

Com «Blue train» John Coltrane deu os primeiros passos, com a cumplicidade de Lee Morgan, Curtis Fuller, Kenny Drew, Paul Chambers e Philly Joe Jones, rumo a uma música simultâneamente expressiva e enérgica, com  solos soberbos e inesquecíveis «quebrados» intencionalmente pela secção rítmica, que seriam a base para uma das obras mais geniais do século XX. A sua carreira ímpar continuaria com a edição de outros discos fabulosos como, por exemplo, «Giant steps», «My favorite things» (o meu preferido) e «A love supreme». Mas foi aqui que tudo começou.

E agora, como diria José Duarte, vamos a nove minutos de jazz...

 

Moment's notice

publicado por adignidadedadiferenca às 22:11 link do post
25 de Maio de 2008

E por falar em Bruckner como esquecer esse filme-ópera por excelência, onde a sua sétima sinfonia assume um papel preponderante na construção dramática da história e na moldura da narrativa? Falo, obviamente de Senso, obra-prima absoluta do romantismo (e não só), da autoria de Luchino Visconti.

 

Se todo o filme é prodigioso e inesquecível - Alida Valli nunca foi tão sublime como aqui -, é, contudo, a partir da cena em que o tenente Mahler (Farley Granger) se oferece para acompanhar  a condessa Serpieri (Alida Valli) pelas ruas de Veneza e se começa a ouvir a música de Bruckner, que eu me apaixono verdadeiramente por esta obra .

 

E, para finalizar, deixo-vos um pouco deste cinema em absoluto estado de graça.

 

publicado por adignidadedadiferenca às 01:57 link do post
24 de Maio de 2008

 

Atenção, este senhor, autor de dois álbuns bastante eclécticos «L'Incroyable vérité» e «Politics» e de um belíssimo terceiro álbum, em versão integralmente acústica, «Sessions», vai participar no Festival da Eurovisão.

 

 

 

 

 

 

«Sessions» é o meu disco preferido, onde Sebastien Tellier canta acompanhado apenas pelo piano e, ocasionalmente, por uma guitarra semi-perdida, criando uma atmosfera de piano-bar, limpida, transparente e com um certo encanto à Erik Satie.

 

Agora decidiu-se por um álbum mais devedor da sedução e sexualidade típicas de Serge Gainsbourg, de onde sacou a canção «Divine», com que vai participar no Festival da Eurovisão, para o qual foi convidado, gerando uma estéril polémica por apresentá-la em inglês.

 

 

Se a tradição não cometer uma traição, deverá ser a única canção em condições estéticas de se «apresentar» a concurso. Irá ganhar?

 

 

 

E, agora, a canção do festival

 

 

publicado por adignidadedadiferenca às 20:33 link do post
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