a dignidade da diferença
23 de Maio de 2008

 

O homem sem qualidades - Robert Musil (Tradução e notas de João Barrento)

 

 

Já existia uma edição anterior, publicada pela «Livros do Brasil», mas era opinião quase generalizada de que a tradução não estava à altura do acontecimento, havendo mesmo quem sentenciasse que todos os que leram a referida obra poderiam considerar como não o tendo feito. Eu fui um desses leitores.

 

Surge agora nova edição da «Publicações Dom Quixote» que entregou a gigantesca tarefa ao Prof. João Barrento, e, face ao prestígio do tradutor (e também às primeiras considerações feitas sobre a tradução), parece que desta vez é que é.

 

Robert Musil, nas palavras de João Barrento surgidas na contracapa dos dois volumes, um dos nomes do «quarteto revolucionário» na prosa das primeiras décadas do século XX - Proust, Joyce, Kafka, Musil -,  é um autor sem biografia, como dirá Hermann Broch, seu contemporâneo e compatriota: «Nenhum de nós tem propriamente uma biografia: vivemos e escrevemos, e é tudo.» Musil legou-nos alguns dos mais significativos fragmentos de literatura do século, cujos traços mais salientes são a complexidade dos seus perfis anímicos e o rigor da observação, da análise e da reflexão - uma obra que se orienta pelos princípios, contidos na fórmula lapidar que ele próprio cunhou, da exactidão e da alma.

 

Acabei de comprar os dois volumes. Para mim, a aventura vai começar.

 

publicado por adignidadedadiferenca às 00:05 link do post
A propósito de livros...
Outras aventuras:

Mishima- A Casa das Belas Adormecidas.
Sem palavras.

Lev Tolstoi- A Sonata de Kreutzer.
Estéticamente perfeito.

Lars Saabye Christensen- Meio-Irmão
"O circo , o cinema e o boxe como pano de fundo"- citação.

Já leu?

ionesco a 24 de Maio de 2008 às 11:09
O Tolstoi já li e é genial. O Mishima é um daqueles casos em que chego a ter um livro na mão, mas acabo sempre por optar por outro. Falha minha. Mas agora vou procurar. O terceiro nunca ouvi falar.
Fundamental !! Estou a meio do 1º volume, encantada com as tantas imagens fantastáticas que oferece de situações tão comuns e custosas de serem saboreadas. O lápis ao lado é essncial com "Musil " diante de nós.

Gabriela Ludovice
Anónimo a 24 de Maio de 2008 às 13:54
Gabriela:
Estou mesmo agora a começar e espero também passar por essa experiência inesquecível.
"O Marinheiro que Perdeu as Graças do Mar” é uma das mais breves e belas novelas da obra de Mishima. Há quem veja na sua trama uma representação simbólica da sociedade japonesa do pós-guerra conforme a radical visão do autor. Bem mais do que isso, é uma novela de rara beleza, erotismo, imprevisibilidade e de um radicalismo brutal. Noboru deslumbrou-se com a relação poética e erótica de sua mãe com o fascinante Ryuji, o marinheiro que carrega a grandeza, a glória, o brilho do mar e aquele boné com “a âncora ao centro do grande emblema em forma de lágrima (...) reflectindo o sol da tarde”. Mas esta apaixonante relação sofrerá uma inesperada mudança. No exterior há um grupo organizado segundo um Chefe, com elementos precocemente militarizados. Rapidamente absorvem o confuso Noboru nos severos princípios da tradição japonesa. Não tarda que o marinheiro seja julgado por ter traído os valores fudamentais de idealismo, de beleza e de glória. Segundo os códigos do grupo, as contemplações são proibidas e qualquer cedência significaria a sobreposição do caos à ordem, como avisa o Chefe, ou, conforme diz, mais eufemisticamente, o último parágrafo do livro: “a glória, como vós sabeis, é uma coisa amarga”.

Cometi um erro que quero corrigir de imediato.

O meu livro preferido de Mishima é o referido no texto.

A Casa das Belas Adormecidas é de Yasunari Kawabata- muito criticado(para o bem e para o mal).




ionesco a 26 de Maio de 2008 às 19:19
Abandonadas numa cama, jovens mulheres, intocadas e intocáveis, dormem profundamente sob o efeito de poderosos narcóticos deixando, sem o saber, que o seu corpo seja contemplado por homens idosos, em busca de uma parca consolação da perda da sua juventude. Para Eguchi, o erotismo das noites passadas neste quarto de prazeres permite-lhe lembrar-se, sem tristeza ou nostalgia, das mulheres da sua vida. A Casa das Belas Adormecidas é uma obra prima de Kawabata, prémio Nobel da literatura. Sobre ela escreveu Mishima: “quando preso por esta história, o leitor sente-se aterrado e entontecido e apreende de imediato o terror do desejo estimulado pela aproximação da morte”, assim penetrando num universo erótico fascinante e assustador.

É A SINOPSE DO LIVRO.

Está corrigido.

ionesco a 26 de Maio de 2008 às 19:27
A avaliar pela qualidade da escrita, acho que devia começar a falar de outras coisas no seu blog e não só de teatro.
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