a dignidade da diferença
25 de Novembro de 2012

 

 

De Béla Tarr, no mercado português, só existia O Homem de Londres em DVD e a estreia comercial nas salas de cinema do último O Cavalo de Turim. Porém, com a recente edição a cargo da Midas Filmes de uma caixa com quatro dos seus filmes mais importantes, a obra do cineasta húngaro tem a possibilidade de alargar o seu culto em Portugal. Autor de um cinema que exige a máxima atenção e uma participação ativa do espectador e só a esse se entrega e se deixa descobrir plenamente, Tarr criou um universo cinematográfico único assente num retrato esmagador do mundo contemporâneo, um realismo árido e apocalíptico cuja visão nos conduz a uma camada da humanidade que vive sem esperança, cercada pela paisagem inóspita e eternamente condenada a um sacrifício que não leva a lugar nenhum. Metáfora do pesadelo comunista, da solidão e do sofrimento contemporâneos, a arte de Béla Tarr encontra nos longos planos-sequência, na densidade, na espessura e no contraste carregado do preto e branco, o meio adequado para nos contar a história derradeira da condição humana. O seu cinema distingue-se das outras linguagens pela forma como trabalha admiravelmente a imagem e o som, como constrói dramaticamente um espaço fechado ou coreografa o dilúvio que deixa aquela gente sem escapatória possível. Ao presenciar esta visão tão hipnótica, transcendente e poética, parece impossível evitar, usando uma expressão de João Lopes, a partilha duma «experiência sensorial e intelectual» absolutamente irrecusável, estimulante e irrepetível. Um olhar austero e desolador sobre personagens que se aproximam inevitavelmente do seu fim, onde a luz acaba e aquelas se sentem apenas acompanhadas por uma paisagem lamacenta e pelo tempo chuvoso, ventoso e extenuante. Danação, O Tango de Satanás, As Harmonias de Werckmeister e O Cavalo de Turim aí estão para combater a indiferença.

 

é, sem dúvida alguma, o acontecimento editorial do ano.

sem-se-ver a 25 de Novembro de 2012 às 12:44
Daquele género de cinema que exige como contrapartida a entrega absoluta do espectador. :-)
como eu gosto. de me entregar. :)
sem-se-ver a 26 de Novembro de 2012 às 00:45
Outra caixa que comprei no fim de semana. Já tinha o Homem de Londres, hehe.
Francisco Rocha a 10 de Dezembro de 2012 às 07:58
«O homem de Londres» era a única obra dele em DVD. Esta caixa ´contém o essencial do seu trabalho. Um cinema exigente, de uma entrega absoluta, hipnótico e admirável.
Novembro 2012
Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab
1
2
3
4
5
6
7
8
9
10
12
13
14
15
16
18
19
20
21
22
23
24
26
27
28
29
30
Posts mais comentados
mais sobre mim
pesquisar neste blog
 
últ. comentários
Com certeza. Porém, continuo a pensar que se nada ...
O fato é que o domínio está presente até mesmo no ...
Agradeço a participação. Mas, tal como já explique...
Agradeço a participação. Mas a ideia que suporta o...
Ola gostava d saber como as finanças actual...
bom dia,sabes dizer quando começa a contar ...
Ah, mas isso é numa língua "culta": o economês...
Por acaso conheço um eminente prof. de economia qu...
Fernando...Pessoa...get a life...NÃO MEU, não meu ...
man... joão... lisboa... get a life
blogs SAPO