a dignidade da diferença
12 de Julho de 2012

 

Reedição (para já, parcial) da obra de José Afonso. Sinais inequívocos de inconformismo e evolução estética, compromisso político (pontualmente excessivo e algo datado), escrita poética, surrealismo e uma ironia do mais fino recorte técnico. Trata-se, no fundo, de uma renovada e plena demonstração da sua capacidade vocal e intuição melódica, de uma visão artística sem fronteiras e, sobretudo após o extraordinário golpe de asa iniciado com o genial Cantigas do Maio (enriquecido pela cumplicidade e pelos soberbos arranjos musicais de José Mário Branco) - cujo contributo para a história da música portuguesa apenas será igualado, naquela época, pela personalidade e matriz individual das obras iniciais de Carlos Paredes, José Mário Branco e Sérgio Godinho ou pela sublime Amália do período Alain Oulman -, um magistral e absolutamente perfeito domínio das características fundamentais e da estrutura formal de uma canção. Venha agora o resto da obra, correspondente à fase mais afirmativa e genial da sua carreira, da qual merece particular destaque a perfeição de Venham Mais Cinco e o menos valorizado mas não menos inventivo Como Se Fora Seu Filho.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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