a dignidade da diferença
25 de Fevereiro de 2012

 

 

Eis um exemplo magnífico, retirado da prodigiosa caracterização da sociedade francesa - temporalmente situada na viragem do século XIX para o século XX - ou da veemente demonstração da impossível conciliação entre o individuo e a sociedade que o rodeia, que formam, no domínio estético e literário, o hiperclássico Em Busca do Tempo Perdido, de que, para Proust, a realidade (sinuosa, na sua perspetiva) permanece esquecida no nosso inconsciente e só se recupera quando a memória a invade num ou mais gestos involuntários: «E era evidente que todos esses diferentes planos segundo os quais o Tempo, desde que há pouco o recapturara nesta festa, arrumava a minha vida, fazendo-me pensar que, num livro que quisesse contar uma vida, seria preciso utilizar, ao contrário da psicologia plana habitualmente utilizada, uma espécie de psicologia no espaço, acrescentavam uma beleza nova a essas ressurreições que a minha memória ia operando enquanto refletia a sós na biblioteca, visto que a minha memória, ao introduzir o passado no presente sem o modificar, tal qual ela era no momento em que era presente, suprime precisamente essa grande dimensão do Tempo segundo a qual a vida se realiza.»

Marcel Proust, O Tempo Reencontrado, traduzido por Pedro Tamen

Fevereiro 2012
Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab
1
2
3
4
5
6
7
8
9
10
11
13
14
15
16
17
20
21
22
23
24
26
27
28
29
mais comentados
mais sobre mim
pesquisar
 
últ. comentários
Descobri esta mina ontem, tem mesmo os discos:http...
Tenho em cd o Django (fnac), o Christian (este co...
A política do facilitismo só proporciona (e quando...
Ainda bem É aproveitar. :-)
(encontrado e ouvindo. obg : )
claro. evidentíssimo. e so não vê quem nao quer.po...
amo-o de paixão. fiquei eléctrica! tenho de o enco...
Um génio injustamernte (quase) esquecido... :-)
MEUS ILUSTRÍSSIMOS AMIGOS,QUERO DEIXAR AQUI REGIST...
Totalmente de acordo acerca do Flaubert. O «Nada a...
Tão giro!Bom, acho que o que interessa é mesmo a b...
blogs SAPO