a dignidade da diferença
15 de Fevereiro de 2011

 

Remorso Póstumo

 

Quando um dia dormires, ó bela tenebrosa / No fundo de um jazigo de mármore negro, / E quando só tiveres por alcova ou conchego / Essa fossa vazia, essa cova chuvosa;

 

Quando a pedra, oprimindo o teu peito medroso / E os teus flancos agora indolentes, privar / Esse teu coração de bater e de amar, / E os teus pés de seguir um curso aventuroso,

 

O túmulo, que sabe todos os meus sonhos / (porque sempre o coval há-de entender o poeta), / Nessas noites sem fim onde já não há sono,

 

Dir-te-á: «De que serviu, cortesã incorrecta, / Nunca teres conhecido o que choram os mortos?» / - E os vermes vão roer-te a pele como um remorso.

 

Baudelaire, As Flores do Mal, assírio & Alvim, tradução de Fernando Pinto do Amaral.

publicado por adignidadedadiferenca às 23:14 link do post
Fevereiro 2011
Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab
1
2
3
4
5
6
7
8
9
11
13
14
16
18
20
21
22
24
25
28
Posts mais comentados
mais sobre mim
pesquisar neste blog
 
últ. comentários
Não consigo vislumbrar uma ligação directa entre a...
Parece-me que existe uma grande crise de valores e...
Não me parece que a crise de valores ou os valores...
Muito bem! Embora nos dias de hoje e na sociedade ...
Certo; tudo bem que existissem questões políticas ...
Já tive o livro, de facto. Contudo, foi mais ou me...
CaroEstou a procura do livro fatima nunca mais mas...
Não deixa de ser um belo aforismo...
O que é a vida, senão um turbilhão de pensamentos ...
Pelo tema, enquadra-se nela sem grande esforço...
Fausto n e da tetralogia. Mas dolce. Q trata do du...
Parece-me uma boa escolha. O som é bom e a qualida...
blogs SAPO