Pequenas e preciosas peças musicais assinadas por Kieran Hebden (Four Tet) e Stephen Merrit, dos Magnetic Fields. Bordados electro-acústicos, relojoaria digital encantatória, improvisação e abstracção sonora no magnífico There Is Love In You; ou esboços acústicos de melodias de bolso, pop/folk descarnada e textos com assento tónico na malícia filtrados pela requintada mão de Merrit no recente Realism. Depois do passo em falso dado com Distortion, o regresso aos óptimos tempos de 69 Love Songs e i.
Walk a Lonely Road
Angel Echoes
Na última década do século vinte, escândalos públicos ocorridos em vários países, e envolvendo titulares de cargos políticos, colocaram na ordem do dia o problema da responsabilização dos governantes e relançaram, em consequência, o debate público em torno de uma questão que se revela central para a qualidade de qualquer democracia.
Muito por força desses desenvolvimentos, recrudesceu o interesse pela criminalidade política, pelos crimes de responsabilidade e também pelo confronto entre a responsabilidade criminal e a responsabilidade política. Se bem que esta última tenha sido objecto de menor atenção no contexto do debate sobre a “criminalidade dos governantes”, ela não deixa de ser um eixo fulcral de análise para a compreensão e o estudo do nível de moralidade pública das modernas democracias.
In A Responsabilidade Política, da autoria de José de Matos Correia e de Ricardo Leite Pinto, Professores da Universidade Lusíada de Lisboa.
To Be Still, Alela Diane
The Farewell Concerts, Alfred Brendel
Noble Beast/Useless Creatures, Andrew Bird
Grains, Boozoo Bajou
Sacrificium, Cecilia Bartoli
Bel Canto, Elina Garanca
DR Boondigga And The Big BW, Fat Freddys Drop
Blood From a Stone, Hanne Hukkelberg
The Seven Last Words of Christ on the Cross, Haydn/Frans Bruggen
Lindstrom & Prins Thomas II, Lindstrom & Prins Thomas
Things Have Got to Change, Marty Ehrlich Rites Quartet
Teatro d'Amore, Monteverdi/Christina Pluhar
The First Days of Spring, Noah And The Whale
Checkmate Savage, The Phantom Band
Mostly Coltrane, Steve Kuhn Trio
The BQE, Sufjan Stevens
Symphony n.º 5/Francesca da Rimini, Tchaikovsky/Gustavo Dudamel
Live At The Folklore Center, NYC ~ March 6, 1967, Tim Buckley
Glitter And Doom Live, Tom Waits
Here's The Tender Coming, The Unthanks
As Praias de Agnès, Agnès Varda
A Valsa Com Bashir, Ari Folman
Gran Torino, Clint Eastwood
Milk, Gus Van Sant
Inimigos Públicos, Michael Mann
Ne Change Rien, Pedro Costa
Up, Pete Docter
Sacanas Sem Lei, Quentin Tarantino
Estava eu pronto para continuar com as listas referentes ao balanço final de 2009, quando fui surpreendido por este desaparecimento totalmente inesperado. Deixo-lhe uma singela homenagem com a minha canção preferida (do belíssimo The Living Road).
My Name
Dois mil e nove foi um ano de boa colheita para a música nacional. Por uma vez foi possível fazer uma lista com doze discos de qualidade - como se fosse um por cada mês de calendário - e ainda ficaram uns quantos de fora. Voltará a repetir-se?
Uma Autora 202 Canções, Amélia Muge
B Fachada, B Fachada
Cacique'97, Cacique'97
Kronos, Cristina Branco
Joana Carneiro/Orquestra Gulbenkian/Tchaikovsky, Joana Carneiro
Muda Que Muda, João Coração
Três Cantos Ao Vivo, José Mário Branco/Sérgio Godinho/Fausto
Assim Falava Jazzatustra, Júlio Resende
Meio Disco, Os Quais
Tasca Beat - O Sonho Português, OqueStrada
Luminismo, Ricardo Rocha
Nem Lhe Tocava, Samuel Úria
Foi sem dúvida imensa a obra literária, cinematográfica e, principalmente, musical criada por esse mundo fora durante os doze meses do ano que findou. Por essa razão, face ao desconhecimento de quase tudo o que foi saindo por aí, torna-se não só ingrata como manifestamente ridícula a tarefa de procurar eleger os melhores livros, filmes ou discos do ano transacto.
Assim, dadas as circunstâncias, resta-me divulgar uma pequena lista - entre as poucas coisas que li, vi e ouvi – dos livros, dos filmes e dos discos de que mais gostei e que foram objecto de publicação (ou republicação) durante o ano de 2009.
Uma lista de A a Z e não por ordem de preferência, como convém.
LIVROS:
Como Proust Pode Mudar a Sua Vida, Alain de Botton
O Resto é Ruído, Alex Ross
Caim, José Saramago
A Volta Ao Dia Em 80 Mundos, Julio Cortázar
As Aventuras de Huckleberry Finn, Mark Twain
As Meninas da Numídia, Mohamed Leftah
Obra Completa, Nuno Bragança
Os Irmãos Tanner, Robert Walser
A Montanha Mágica, Thomas Mann
Canções de Inocência e de Experiência, William Blake
Depois de Rayuela, a Cavalo de Ferro volta a publicar mais uma obra do genial escritor argentino Julio Cortázar. E fá-lo, felizmente, de uma forma muito mais cuidada, pois esta edição não acusa os imperdoáveis descuidos encontrados em Rayuela que uma deficiente revisão do texto deixou passar em claro. A Volta ao Dia em Oitenta Mundos confirma todo o talento literário de Cortázar, o qual volta a romper com os modelos clássicos da narrativa, assinando uma inacreditável colectânea de textos literários onde conjuga o conto com a poesia ou com o ensaio, convive, simultaneamente e em total liberdade, com a improvisação do jazz ou com o espírito de Júlio Verne. Escreve com uma versatilidade admirável sobre boxe, política, culinária, sadismo ou Paris, intercalando a densidade do texto com ilustrações e fotografias escolhidas por si. Uma obra inovadora, surrealista e fragmentária que é, passados quarenta e dois anos e juntamente com Rayuela, uma das obras fundamentais da literatura sul-americana (e mundial).
O adeus definitivo aos concertos de um clássico absoluto. Um grande, grande disco de um pianista musicalmente generoso. Mozart, Haydn, Beethoven, Schubert e J. S. Bach revistos pelas mãos minuciosas e atentas aos mínimos detalhes de Alfred Brendel. Uma espécie de oferenda musical e uma verdadeira festa para os sentidos.
Schubert: Impromptu
A ausência tem sido longa e o tempo é cada vez mais curto, mas aproveito este espaço para vos recomendar algumas das minhas últimas escutas musicais.
Em primeiro lugar, As 7 Últimas Palavras de Cristo na Cruz, onde o génio de Haydn é filtrado por um classicismo rigoroso e pela absoluta emoção interpretativa da Orchestra Of The Eighteenth Century dirigida pelo lendário Frans Brüggen.
Uma leitura igualmente notável de Jordi Savall
Tom Waits regressa, em Glitter And Doom, com a sua trupe de saltimbancos sonoros e oferece-nos mais uma gravação ao vivo irrepetível acompanhada por uma versão extraordinária de Dirt In The Ground.
Dirt In The Ground
The Unthanks (das irmãs Rachel e Becky) estabelecem um novo paradigma para a música folk contemporânea no novíssimo Here’s The Tender Coming, que só surpreende quem nunca escutou o anterior e magnífico The Bairns.
The Testimony of Patience Kershaw
Para o final ficam as obras nacionais. O pianista Júlio Resende destaca-se com um belo, enérgico e, por vezes, silenciosamente contemplativo disco de jazz. Um músico a merecer atenção nos próximos trabalhos.
Boom!
Foi, finalmente, editada em CD e DVD duplos, a recente reunião ao vivo dos três sobreviventes – para usar uma expressão feliz do crítico João Lisboa – da música popular portuguesa: José Mário Branco, Sérgio Godinho e Fausto. Três Cantos Ao Vivo serve, sobretudo, para compensar aqueles que não puderam estar presentes nos referidos concertos.
Foi um belíssimo espectáculo assinado por três músicos talentosos que evitaram superiormente os perigosos saudosismos que, muitas vezes, ficam associados a este tipo de «celebração». Apenas um reparo para a não inclusão, pelo menos no DVD, da totalidade das canções interpretadas.
Fiquem bem.
Trailer do espectáculo
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