Quarta-feira, 18 de Novembro de 2009
Onde pára o Estado?

 

Se há algo que a actual geração aprendeu, foi que crescimento económico não significa necessariamente maior justiça social. A própria criação de empregos, embora vital, por si só não garante a diminuição do fosso socioeconómico. O que separa um Estado neoliberal de um Estado neo-social é que para este último, mesmo em períodos de crescimento económico nulo, ou até especialmente nestes, é prioritário atender ao problema da desigualdade através de políticas reformistas, tendentes à maior eficiência e maior equidade nas áreas do sistema de impostos, da segurança social, da saúde e da educação. (...) No fundo, o que está aqui em jogo é que resposta dará a nossa geração à questão de se a prioridade da acção do Estado deve ser concedida ao imperativo da estabilidade macroeconómica se ao imperativo político da cidadania social. Tal questão não admite meias respostas. A escassez de recursos impede que se possa ter o melhor dos dois mundos. Ou se opta por um modelo de organização da vida colectiva inspirado no mercado e, por conseguinte, se aceitam as desigualdades como uma consequência «natural» e inevitável de um bem maior (crescimento da economia), ou, pelo contrário, se escolhe um modelo orientado pelo ideal político de justiça e equidade social, mesmo que o crescimento agregado da economia seja imperceptível nos próximos anos. (...) Penso que a escolha da nossa geração recairá sobre esta segunda opção, a opção por um Estado neo-social.

 

“Onde pára o Estado? Políticas públicas em tempo de crise”, coordenação de Renato Miguel do Carmo e João Rodrigues; Nelson de Matos: Pensar-Navegar

 



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Sábado, 7 de Novembro de 2009
Anna Netrebko . Elina Garanca: I Capuleti e I Montecchi (Bellini)

 

A propósito disto, eis uma óptima ocasião para recordar uma das melhores gravações do ano.

 

 

Deixo-vos com uma pequena amostra. O resto é convosco.

 

 



publicado por adignidadedadiferenca às 01:55
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Segunda-feira, 2 de Novembro de 2009
Tim Buckley: Live At The Folklore Center, NYC ~ March 6, 1967

 

Gravação ao vivo de uma actuação magnífica de Tim Buckley, na altura ainda razoavelmente desconhecido, perante uma assistência de 35 pessoas e pouco tempo antes de publicar o esplêndido Goodbye and Hello.

Eis, então, uma óptima oportunidade para escutar a mais sublime voz que atravessou a passagem da década de sessenta para a de setenta do século XX, aqui, apenas com o acompanhamento da guitarra, voando livre e majestosamente sobre nós, pobres mortais.

Música vibrante e inesquecível e uma interpretação em assombroso estado de alucinação.

Directamente para a lista dos imprescindíveis do ano.

 

"Song for Jainie"

 



publicado por adignidadedadiferenca às 00:40
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Quinta-feira, 29 de Outubro de 2009
Cecilia Bartoli: Obra-prima!

 

 

"Son Qual Nave"

 



publicado por adignidadedadiferenca às 00:00
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Sábado, 24 de Outubro de 2009
discos que nunca mais se esquecem - XXXIV

 

The Feelies: Crazy Rhythms (1980)

 

 

 

Moscow Nights

 



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Sábado, 10 de Outubro de 2009
Jorge Luis Borges - Literatura e Racionalidade

 

 

Uma tese singularmente drástica da nossa modernidade, e contudo amplamente aceite e repetida como um lugar comum da época, afirma a inaptidão de todos os sistemas filosóficos, a impossibilidade das grandes sínteses do pensamento e a incapacidade em geral da razão para dar conta da realidade. Não é difícil imaginar porque é que esta tese tem tanta popularidade: os filósofos são muitos, os livros de filosofia são longos, pensar é cansativo e faz dores de cabeça. E depois, evidentemente, para ler Schopenhauer, é preciso recuar até Hume e a Kant; para ler Sartre, remontar a Heidegger, e não se pode chegar a Marx sem passar antes por Hegel, por Ricardo, por Feuerbach. Para se compreender Wittgenstein, é preciso saber lógica; para ler Vico, história; para abordar Santo Agostinho, teologia. Torna-se, é claro, muito tentador que então alguém nos convença com um bom argumento de que nada disto é necessário, que todos esses rapazes estavam enganados e que podemos passar sem perdas por cima desses três ou quatro mil livros.

Em vez de um bom argumento há um golpe de mão demasiado rápido: a crítica parte da afirmação de que a razão humana é limitada (o que, sem dúvida, é verdade e tão inovador como, por exemplo, dizer que os homens são mortais, ou que, embora agite os braços muito rapidamente, não levantaremos voo) e, à laia de conclusão, põe de lado toda a história do pensamento, fazendo passar por impotência toda a sua limitação.

 

Excerto do texto publicado em La Nación, 13 de Fevereiro de 1994 e incluído no livro Borges e a Matemática organizado por Guillermo Martínez, traduzido por Miguel Serras Pereira e editado pela Ambar.

 



publicado por adignidadedadiferenca às 01:24
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Segunda-feira, 28 de Setembro de 2009
O belíssimo e hipnótico regresso de Hope Sandoval...

 

Blanchard

 

 

Trouble

 



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Sábado, 26 de Setembro de 2009
A modernidade de Monteverdi por Christina Pluhar

 

 

Eis mais uma notável gravação de Christina Pluhar e do seu agrupamento – fundado há nove anos – L’Arpeggiata, após o igualmente magnífico  Los Impossibles (de 2006).

Nesta belíssima viagem musical à modernidade de Monteverdi, Pluhar estende-nos mais uma demonstração ímpar da sua liberdade e flexibilidade estética, entrelaçando, pacífica e admiravelmente, peças musicais do século XVII com a América Latina popular e musical, transformando cada audição numa aventura emocionante para o ouvinte, que não deixará de se surpreender com a ousadia, a improvisação e a interpretação livre e cheia de fantasia de Christina Pluhar.

Obviamente, tem, desde já, lugar reservado nos indiscutíveis de 2009.

 



publicado por adignidadedadiferenca às 22:33
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Ética

A política, que quis assumir-se como promotora de valores, ficou, apenas, ao nível da cidadania e do civismo, apregoando, hoje, como fonte de legitimação, o consenso que começa, todavia, a ser percebido como mera retórica.

 

Só uma educação, enquanto projecto em devir, pode ser verdadeiramente inovadora e dinâmica, preparando os educandos para uma melhor adaptação à complexidade do mundo actual, fazendo-os sair do pensamento massificante.

 

Prof. Cassiano Reimão em «Ética e Profissões - Desafios da Modernidade, Actas de Colóquio», Universidade Lusíada Editora

 



publicado por adignidadedadiferenca às 22:26
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Quinta-feira, 17 de Setembro de 2009
Cacique'97 - O Afrobeat (finalmente) cantado em português

 

 



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Domingo, 13 de Setembro de 2009
Haydn: As últimas sonatas interpretadas por Alain Planès

 

 

O pianista francês Alain Planès consegue neste disco, de forma admirável, mostrar cada detalhe da riquíssima gama de emoções que alimentam majestosamente as quatro últimas sonatas para piano de Haydn.

Servindo-se do seu virtuosismo técnico somente como ferramenta para melhor exprimir as emoções e o fraseado do genial compositor, Planès oferece-nos todo o esplendor, complexidade e carácter visionário das peças musicais que interpreta, desdobrando-se com notável savoir-faire entre momentos de indisfarçável tensão, pequenas miniaturas épicas, variedade tímbrica e melódica, ou magníficos esboços de lirismo no meio da tempestade.

Uma gravação intensa e inesgotável que merece todas as aclamações.

 



publicado por adignidadedadiferenca às 21:21
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Sábado, 12 de Setembro de 2009
Songs for Drella

 

A propósito de uma óptima escolha do Victor Afonso que é também um dos discos que mudaram a minha vida.

 

Open House

 

Style it Takes

 

Trouble With Classicists

 

Nobody But You

 

Hello It's Me

 

 



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Quinta-feira, 10 de Setembro de 2009
A estratégia do PSD para vencer as legislativas...

 

Comove-me sempre a confiança demonstrada pelo PSD na sua líder. Como dizia o outro: Quem é aquela senhora que está ao lado do António Capucho?

 

 



publicado por adignidadedadiferenca às 20:11
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Terça-feira, 8 de Setembro de 2009
Recordações da Festa do Avante

 

 

Para mim, este ano, a Festa do Avante foi o local onde tive a oportunidade de fazer estas últimas e magníficas aquisições:

 

 

 

Burt Bacharach revisto e ampliado de forma esplêndida pela “troupe” underground e vanguardista, com produção essencial do “guru” John Zorn.

 

 

Óptimas canções tradicionais transformadas pelo grupo francês (da bretanha) em belíssima música de câmara.

 

 

E onde assisti a uma exeburante actuação do grupo de guerrilheiros espanhóis; os Ska - P.

Provavelmente não serão mais do que uma pequena nota de rodapé na história da música espanhola (e da pop em geral), mas, no Domingo que passou, ao concretizarem um desdobramento fantástico entre atitude punk à Clash, secção de metais explosiva e instinto melódico dançando no meio de estilhaços de ruído, aliado a uma noção perfeita de como encenar em palco uma contagiante, saudável e delirante manifestação política e sonora, os Ska – P ofereceram, a quem esteve presente, um dos mais eufóricos e rebeldes concertos dos últimos anos na festa do Partido Comunista.

 

 

 



publicado por adignidadedadiferenca às 23:58
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Domingo, 6 de Setembro de 2009
Clássicos da Blue Note 4

 

Mais uma notável gravação de um clássico que contribuiu para definir o som Blue Note, produzido pelo lendário Alfred Lion com a participação activa de Rudy Van Gelder como engenheiro de som.

Acompanhado, durante o mês de Abril de 1967, por uma excelente secção rítmica formada por Stanley Turrentine, Major Holley, Jr , Bill English e Ray Barretto, Kenny Burrell inventa com a sua guitarra e as suas ideias, uma música falsamente morna, viciante e marcadamente bluesy, temperada por uma ágil batida africana e pelos belíssimos desenhos melódicos do saxofone tenor.

Burrell gravou outros álbuns de elevada qualidade, mas foi Midnight Blue que lhe trouxe a popularidade e lhe deu prestígio entre os amantes do jazz e da música em geral.

 

Chitlins Con Carne

 



publicado por adignidadedadiferenca às 00:52
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