a dignidade da diferença
13 de Dezembro de 2014

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TANGENTE MÃO, PRELÚDIO DE UM BEIJO,

Ancinho que perpassa branda terra,

Leveza que alivia dura guerra,

Pureza que me rasas e eu desejo,

Tangendo se me tocas eu me envolvo

Como um bicho de conta que se anilha

E roda de brincar se faz, ervilha

Nas mãos de uma criança, adstrito polvo.

Ó nome que és na boca apertado,

Estreiteza que me cinge e me reduz,

Amálgama de bicho e sóror luz,

Ó silfo que és sentido e não pesado!

À letra tu me levas e te trazes

Ó deusa, e se és não deusa em mim te fazes.

Daniel Jonas,

 

publicado por adignidadedadiferenca às 19:32 link do post
08 de Dezembro de 2014

LIVROS

 

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Agarra o Dia, Saul Bellow

 

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Poemas Escolhidos das Irmãs Brontë, Charlotte, Emily e Anne Brontë

 

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Toda a Mafalda, Quino

 

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As Avenidas Periféricas, Patrick Modiano

 

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A Retirada dos Dez Mil, Xenofonte (traduzido por Aquilino Ribeiro)

 

FILMES

 

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The Grand Budapest Hotel, Wes Anderson

 

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Fanny e Alexandre, Ingmar Bergman

 

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Os Maias - Cenas da Vida Romântica, João Botelho

 

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A Imigrante, James Gray

 

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Ida, Pawel Pawlikowski

 

DISCOS

 

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St Petersburg, Cecilia Bartoli

 

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Sun Zoom Spark: 1970 to 1972 (4 CD), Captain Beefheart

 

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The Bootleg Series Vol. 11 The Basement Tapes Complete (6 CD), Bod Dylan and The Band

 

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Charlie Haden - Jim Hall

 

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Amélia Com Versos de Amália, Amélia Muge 

publicado por adignidadedadiferenca às 17:01 link do post
30 de Novembro de 2014

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 «Onde Pára o Estado? Políticas Públicas em Tempo de Crise», organizado e coordenado por Renato Miguel do Carmo e João Rodrigues, já foi publicado em 2009. Desde então, as principais questões que sobressaem no livro mantêm a sua pertinência e actualidade. Como garantir a sustentabilidade e a estabilidade financeira do Estado, defender a justiça social e promover o crescimento económico? Sucede que a maioria das respostas dos políticos e dos agentes económicos descai frequentemente para a demagogia ou para as conclusões apressadas. Não obstante, não se deixem enganar: independentemente do modelo político-económico idealizado, evitar o desperdício dos recursos disponíveis e alcançar o ponto de equilíbrio entre investimento privado e intervenção pública, incentivando o crescimento económico sem impedir a justiça e equidade social, continua a ser uma das tarefas mais difíceis de fazer e concretizar. Ora vejamos: «Se há algo que a actual geração aprendeu, foi que crescimento económico não significa necessariamente maior justiça social. A própria criação de empregos, embora vital, por si só não garante a diminuição do fosso socioeconómico. O que separa um Estado neoliberal de um Estado neo-social é que para este último, mesmo em períodos de crescimento económico nulo, ou até especialmente nestes, é prioritário atender ao problema da desigualdade através de políticas reformistas, tendentes à maior eficiência e maior equidade nas áreas do sistema de impostos, da segurança social, da saúde e da educação. (...) No fundo, o que está aqui em jogo é que resposta dará a nossa geração à questão de se a prioridade da acção do Estado deve ser concedida ao imperativo da estabilidade macroeconómica se ao imperativo político da cidadania social. Tal questão não admite meias respostas. A escassez de recursos impede que se possa ter o melhor dos dois mundos. Ou se opta por um modelo de organização da vida colectiva inspirado no mercado e, por conseguinte, se aceitam as desigualdades como uma consequência «natural» e inevitável de um bem maior (crescimento da economia), ou, pelo contrário, se escolhe um modelo orientado pelo ideal político de justiça e equidade social, mesmo que o crescimento agregado da economia seja imperceptível nos próximos anos. (...) Penso que a escolha da nossa geração recairá sobre esta segunda opção, a opção por um Estado neo-social.»

23 de Novembro de 2014

 

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«A América não tem assim tantos realizadores que lhe permitam dar-se ao luxo de pôr John Carpenter de lado. Viesse tal a acontecer, e quase aconteceu, e seria ele o último a rir: a obra fala por si. Mas por que razão foi tão marginalizado? O senso comum diz que Carpenter entrou num declínio abrupto depois dos dias de glória de “Assault on Precint 13” e “Halloween”, mas será que alguém pode sustentar semelhante julgamento? Existirá outro tipo de julgamento na actual cultura do cinema? Examinando a sua obra com atenção, percebe-se que tem uma das mais consistentes e coerentes obras do cinema moderno, no qual os triunfos – os dois sucessos dos primórdios, “The Fog”, “Escape From New York”, “Prince of Darkness”, “They Live” e “In The Mouth of Madness” – superam de longe os filmes menores ou problemáticos.

 

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Nunca fez nada que envergonhasse. Nunca fez um filme desonesto ou preguiçoso. Mesmo e seu “remake” universalmente ignorado de “Village of the Damned” está feito lindamente, ainda para mais com uns 20 minutos brilhantes. Diria que a marginalização de Carpenter se deve a algo mais triste e menos difícil de identificar, sobre o qual não tem controlo. Quer gostemos, quer não, regemo-nos por normas e paradigmas de realização, enquanto as mesmas mudam como placas tectónicas provocando-nos mudanças inconscientes em relação à forma de ver filmes, e à forma como vemos uns em relação a outros. E sem sabermos, muitos de nós fazemos algo que frequentemente censuramos noutras pessoas: cedências às modas. Não há dúvida de que as modas no cinema Americano mudaram a milhares de quilómetros de distância de John Carpenter. Ele é um homem do analógico num mundo digital, que rege o próprio trabalho de acordo com critérios de valor a que já ninguém presta atenção. Carpenter mantém-se totalmente sozinho enquanto último realizador de género na América.»

Kent Jones

16 de Novembro de 2014

 

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Da autoria de Art Spiegelman (nascido em 1948), Maus é muito provavelmente uma das mais extraordinárias e comoventes obras de banda desenhada criadas até hoje. Spiegelman conta-nos a história de Vladek Spiegelman, um judeu que sobreviveu ao Holocausto, bem como a do seu filho (trata-se do próprio autor do livro, Art), do qual nos vamos apercebendo que sente uma grande dificuldade em compreender o heroísmo do pai, para quem não passa de uma pessoa banal. Alternando a acção entre o que se passou na Polónia - as memórias do pai durante o período da Europa de Hitler - e a actualidade vivida em Nova Iorque, o livro cruza entre si duas histórias intensas e comoventes. A primeira assenta no testemunho do pai de Art e da mulher sobre a sua luta diária pela sobrevivência num ambiente de permanente terror e desafio perante a visão próxima da morte. Está recheada de paixões, traições e tentativas de fuga desesperada. A segunda revela-nos o difícil relacionamento de Art com o seu pai, os quais, tal como o mais comum dos mortais, procuram seguir uma vida normal, atravessada contudo, pelas angústias do narrador e pelos dramas do passado de Vladek. Trabalhando uma história aparentemente simples elaborada com previsíveis factos do quotidiano, o autor confere, no entanto, uma profunda e complexa densidade psicológica às personagens, enriquecendo a narrativa com múltiplas situações de conflito, tensão e apelo à memória de acontecimentos tão distantes que já pareciam esquecidos, abrindo feridas que já estavam cicatrizadas. Maus caracteriza-se ainda pela forma minimalista como Spiegelman compõe o desenho, num contido e mui expressivo preto e branco, configurando os nazis como gatos e os judeus como ratos. A elaboração desse grafismo rigoroso e elementar amplia o texto, já de si magnífico, conferindo-lhe o máximo de expressividade. Maus cativa porque funciona como uma poderosíssima metáfora figurativa: o contraste no rosto dos animais, a opção feliz pelos tons negros, densos e sombrios que talvez espelhem melhor os acontecimentos dilacerantes que o autor lentamente dá a conhecer, de forma rigorosa e magistral, aos seus leitores. O livro, testemunho documental único sobre uma época que não devemos esquecer, sobrevivia no mercado nacional numa edição paupérrima da Difel em dois volumes (com erros ortográficos e assim); felizmente, numa edição recente, cuidada e num único volume, com tradução a cargo de Joana Neves, a Bertrand emoldurou a obra com a dignidade que um vencedor do Prémio Pulitzer merecia.

publicado por adignidadedadiferenca às 20:50 link do post
09 de Novembro de 2014

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Paris 1919, publicado em 1973, consistia num delicado rendilhado de música sedutora, elegante e, no limite, «invisível». Editado um ano depois, Fear, por sua vez, já trazia consigo a atmosfera de medo, tensão, excesso e claustrofobia que irá perseguir, amiúde, a notável carreira do seu autor. Com Honi Soit, John Cale prosseguia e desenvolvia, em 1981, esse universo de claustrofobia sonora com um conjunto imaculado de canções elaboradas em cenários de fogo e gelo. Ainda assim, apesar desses avisos, poucos seriam os que se prepararam para escutar e digerir, no ano seguinte, o assombroso universo de escuridão, desespero, desorientação, perda e horror, que habitava as canções sedutoramente caóticas do genial Music For a New Society. Contextualizado no seu tempo, pode ser encarado como uma reacção meticulosa e crua aos anos amargos da administração Reagan/Tatcher, funcionando ainda como denúncia ácida e feroz desse período de desencanto, do qual sobressai um mal-estar individual ou até colectivo. John Cale extrai das suas canções - se nos for permitido designá-las ainda desta forma… - o derradeiro sopro de vida, sustentando-as com frágeis fragmentos de melodias à deriva, com acordes lentos e solitários de piano e guitarra, com esboços de viola de arco sussurrados ao ouvido ou lamentos e pontuações emotivas de bateria. Assim configuradas, as peças de Cale, amplamente desfiguradas, sobrevivem inesperadamente num ambiente tortuoso, ambíguo e obsessivo, apelando à absoluta necessidade de mudança. Rigorosamente construído e magnificamente executado, Music For a New Society, não ganhou uma única ruga e perdura ainda hoje como um portentoso exercício sobre a perda, o cansaço, a desorientação e a ansiedade. Exemplo superlativo da arte excessiva do seu autor será a desintegração literal da Ode à Alegria de Beethoven, convertida em Damn Life num assustador pesadelo de dor, solidão e desencanto. Essencial, perturbante, complexo e intenso, Music For a New Society, apesar da sua escuridão, colhe o género de música capaz de destruir vidas e de simultaneamente, ao cantar esses pesadelos, as salvar*.

 

  * Inspirado no comentário dos National ao seu magnífico Boxer, retirado daqui.

02 de Novembro de 2014

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«A distribuição da riqueza é uma das questões mais vivas e mais debatidas hoje em dia. Mas que sabemos verdadeiramente sobre a sua evolução a longo prazo? A dinâmica da acumulação do capital privado conduzirá inevitavelmente a uma concentração cada vez mais acentuada da riqueza e do poder em poucas mãos, tal como Marx pensou no século XIX? Ou será que, à imagem do que pensou Kuznets no século XX, as forças de equilíbrio do crescimento, da concorrência e do progresso técnico levam espontaneamente a uma redução das desigualdades e a uma estabilização harmoniosa nos estádios avançados de desenvolvimento? Que sabemos realmente sobre a evolução da distribuição do rendimento e do património desde o século XVIII, e que ensinamentos podemos daí retirar para o século XXI? São justamente estas as questões às quais tentarei responder neste livro. Digamo-lo desde já: as respostas que encontrei são imperfeitas e incompletas. Mas fundam-se em dados históricos bastante mais amplos que os usados em trabalhos anteriores., abrangendo três séculos e mais de vinte países, e apoiando-se num contexto teórico repensado que permite uma melhor compreensão das tendências e dos mecanismos em presença. O crescimento moderno e a difusão do conhecimento permitiram evitar o apocalipse marxista, embora não modificassem as estruturas profundas do capital e das desigualdades – ou, pelo menos, não tanto quanto pudemos imaginar nas décadas optimistas do pós-Segunda Guerra Mundial. Desde o momento em que as taxas de rendibilidade do capital ultrapassam de forma duradoura as taxas de crescimento da produção e do rendimento – o que foi o caso até ao século XIX e indiscutivelmente parece poder voltar a ser a norma no século XXI -, o capitalismo produz de forma mecânica desigualdades insustentáveis, arbitrárias, voltando a pôr radicalmente em causa os valores meritocráticos nos quais se fundam as nossas sociedades democráticas.»

Thomas Piketty, introdução a «Le Capital au XXIe Siècle».

25 de Outubro de 2014

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«First and foremost however, June Tabor is an extraordinary teller of tales. She may claim that it is a love of the rhyme rather than tales from the stave that motivate her, but her marriage of meaning and music is nonpareil. As “Always” shows, she has repeatedly experimented in areas far removed from the “confines” in which she is generally pigeonholed or perceived to operate. Furthermore, it demonstrates that she has regularly brought the waft of the new – and the new as only she could do it – to the over-familiar. Long ago liberated to fly out of the folkie cage, all it took was imagination, accompanists, audience and, signally, a repertoire which has gone from the cinematography of Anglo-Scottish balladry and Ralph McTell to “kicking out the jams” à la Grace Slick, from Brecht to Barker, from German folksong to French trouvére ballad, from Carlos Antonio Jobim via the Gershwins to Yiddish threnody. It all sounds so simple with hindsight.»

Ken Hunt

 

19 de Outubro de 2014

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Sequência natural do anterior e igualmente meritório «Os Privilegiados», do jornalista Gustavo Sampaio, «Os Facilitadores», publicado no mês passado, prossegue o magnífico trabalho de investigação daquele. Se «Os Privilegiados» já nos oferecia uma notável visão panorâmica da promiscuidade entre o mundo da política e as actividades económico-financeiras, e entre as funções públicas e os interesses privados, na qual sobressai o tráfico de influências ou a rede de interesses convergentes entre a classe política, as empresas públicas e os negócios privados, o mais recente trabalho de Gustavo Sampaio investiga o sistema de correspondência entre o poder político, as sociedades de advogados e os interesses empresariais. O jornalista em regime «freelancer» mantém o seu «modus operandi»: sistematiza e revela as listas de clientes das maiores sociedades de advogados, a sua participação na produção legislativa ou na regulação, e a conexão político-empresarial – desde o recrutamento de políticos até à acumulação de cargos de administração nas grandes empresas. Colocando sucessivamente a questão sobre a causalidade ou a intenção nesta abundância de «padrões, coincidências e interligações», Gustavo Sampaio evita as ideias pré-concebidas e os juízos de valor, tratando o leitor com o respeito que este merece, permitindo-lhe tirar as suas próprias conclusões. Uma obra notável que evidencia a marca indelével de um sistema viciado e a sua viscosa realidade, onde as principais sociedades de advogados tanto representam o interesse público como o sector privado. Em ocasiões distintas ou em simultâneo, entre pontenciais e previsíveis conflitos de interesses.

12 de Outubro de 2014

 

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O estabelecimento e desenvolvimento de relações de cumplicidade com os Estados do Golfo - alguns deles aliados de hoje mas previsíveis inimigos de amanhã -, o fornecimento de armas e o financiamento de organizações terroristas que foram sucessivamente piorando, e o desequilíbrio da realpolitik que advém do desconhecimento da História, dos erros de avaliação e de estratégia, permitiram o crescimento de uma organização de assassinos perigosos, dementes ideológicos a coberto de uma interpretação fanatizada do Corão. Com este grupo assassino de islamo-fascistas que procura instalar pelo terror um Estado governado pela sharia, regressa a barbárie. Degolando pessoas enquanto o diabo esfrega o olho e violando mulheres a eito, estas bestas odeiam e abatem todos aqueles que discordam da sua pureza interpretativa da sharia. Neste momento, por uma questão de sobrevivência, apesar de outras ameaças, a prioridade é combater militarmente o avanço do terror do Estado Islâmico (EI). Cinicamente abandonados à sua sorte pela falência moral do Ocidente, o valente povo curdo de Kobane, na Síria, junto à fronteira com a Turquia, desde que foi assaltado pelo horror do ISIS, não tem feito outra coisa. Por eles e por nós.

publicado por adignidadedadiferenca às 19:58 link do post
05 de Outubro de 2014

 

A Igreja Católica tem sido muito justamente acusada de não acompanhar a evolução da sociedade e as mudanças do seu modelo familiar. No seu discurso oficial sobre a homossexualidade, por exemplo, a instituição religiosa dá sinais preocupantes de incompreensão e condenação moral. A propósito de uma reportagem do semanário Expresso desta semana sobre o primeiro congresso mundial de homossexuais católicos em Portimão, percebe-se que hoje em dia, felizmente, existe uma minoria católica que vem contestando esta visão reaccionária da sociedade. Um dos exemplos mais notáveis é o de Frei Bento Domingues. O frade dominicano nem sempre está de acordo com o discurso oficial da Igreja, afastando-se amiúde das suas incoerências e imposições absurdas. Como agora, ao alertar para a necessidade de renovação do pensamento sobre esta matéria. A sua voz é a de alguém que pensa pela sua cabeça, própria de um espírito livre, incómodo e aberto à mudança. Escutem o que ele disse na referida reportagem: «Como é que se vai exigir a pessoas que não escolheram ser homossexuais e que têm impulsos, desejos e afectos que não o sejam? O importante é que as pessoas sejam “eticamente honestas” nas suas relações. Nem aos homossexuais vale tudo, nem aos heterossexuais vale tudo. O casamento entre homossexuais é um problema que tem de ser debatido na Igreja, não por ser pecado ou não mas porque havia um modelo de família e agora aparece outro (…) que nunca foi estudo nem reflectido. É um bom momento para ter essa discussão.» Uma lufada de ar fresco no discurso maioritariamente bafiento da Igreja Católica.

29 de Setembro de 2014

 

 

«Tim Buckley possessed a golden voice that spanned the range from baritone to tenor. More importantly, he knew what to do with it. Sometimes he used it simply as a vehicle to carry the lyrics. Other times he used it as an extraordinary musical instrument in its own right. Standing on stage beside him, playing guitar, listening to the compassion, hope, tenderness, anguish, wistfulness, love and power surging through his voice, I often felt my spine shiver with goosebumps. Between 1966 and 1975, Buckley released nine albums. Throughout that time, he sang like nobody else I’ve ever heard.»

Lee Underwood

 

 

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